TEM À medida que se aproximam as eleições presidenciais de 2027, a França deve enfrentar uma realidade que está agora amplamente documentada: a interferência digital estrangeira nas eleições nacionais. Não se trata mais de suspeita, mas de análise apoiada em trabalhos acadêmicos, investigações jornalísticas e relatórios parlamentares.

As operações de influência pilotadas a partir do Kremlin foram amplamente demonstradas. Os Estados Unidos e a China também desenvolveram estratégias de influência informacional, direta ou indireta, apoiando-se em plataformas, relés ideológicos ou atores económicos presentes no nosso território.

Exemplos recentes na Europa Central deveriam alertar-nos. Na Eslováquia, a campanha legislativa de 2023 foi marcada pela disseminação massiva de conteúdos pró-Rússia, retransmitidos por redes de desinformação no Facebook e no Telegram. Na Roménia, as autoridades documentaram operações de influência online destinadas a enfraquecer a confiança nas instituições e a polarizar opiniões sobre questões geopolíticas sensíveis. Em ambos os casos, o espaço digital tornou-se o vector preferencial de uma estratégia de desestabilização política.

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Contudo, a democracia pressupõe um espaço público onde os cidadãos possam deliberar livremente, sem interferência externa. A liberdade de expressão não implica liberdade para as potências estrangeiras manipularem os debates. A soberania popular exige que as escolhas eleitorais procedam de um confronto justo entre projetos políticos nacionais, e não de algoritmos otimizados do exterior para amplificar narrativas consistentes com agendas políticas hostis.

Improvisar seria desastroso

Perante este perigo, as autoridades devem agir com antecipação. Não podem simplesmente publicar actualizações situacionais sobre o estado da ameaça – tais como boletins da Rede de Coordenação e Protecção Eleitoral (ECPN). Devem, em caso de ameaça comprovada, agir ex ante e não ex post. Não se trata nem de ceder ao pânico nem de instalar um regime de excepção permanente, mas de preparar a opinião pública para a possibilidade de medidas de regulação activa do espaço digital durante a campanha presidencial de 2027. Improvisar numa emergência no rescaldo de uma campanha massiva de desinformação seria desastroso.

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