Jordan Bardella interrompe seu discurso, ele se diverte sozinho no palco. Na primeira fila, Marine Le Pen sorri, sem esconder a tensão que lhe marca o rosto. Enquanto se aguarda o julgamento do Tribunal de Recurso de Paris, em 7 de julho, no caso dos assistentes parlamentares da Frente Nacional (antiga denominação do Comício Nacional, RN), o deputado de Pas-de-Calais continua oficialmente candidato às eleições presidenciais de 2027; mas pelas suas costas, neste dia 18 de março, em Châlons-en-Champagne, a multidão incandescente nomeou o seu vice-campeão para a eleição suprema.
Último orador deste encontro entre os dois turnos das eleições municipais, Jordan Bardella já nem finge estar constrangido com o “Presidente da Jordânia”, “Jordânia, salve-nos” ou “La Marseillaise” que pontuam a sua intervenção depois de ter poupado a da irmã mais velha. Suspense e fingimento: tal é a vida do RN entre agora e o verão e o machado que decidirá seu elenco para conquistar o Eliseu.
À medida que o prazo legal se aproxima, Marine Le Pen vê seu amado desmoronar “calma das antigas tropas”. A sua chamada serenidade já não permeia as fileiras. As eleições autárquicas passaram, a Assembleia Nacional continua paralisada, a agenda já não oferece escapatória: os lepénistas cedem a hipóteses, conjecturas e dúvidas sobre o seu futuro. Mas desde “em a política só existe o que parece existir” (outro mantra do três vezes candidato presidencial), o partido de extrema-direita esforça-se por exibir uma simbiose férrea.
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