
A Apple possuía 20% da Globalstar e usava 85% de sua rede. A Amazon compra tudo por US$ 11,6 bilhões. A conta de satélite do seu iPhone pode mudar de natureza.
Amazon anunciou terça-feira, 14 de abril a aquisição da Globalstar por US$ 11,57 bilhões. A operadora de satélite, com sede na Louisiana, tem alimentado o SOS de emergência e as mensagens por satélite do iPhone desde 2022. No processo, os dois gigantes assinaram um acordo separado com a Apple. Amazon Leo, a constelação do grupo, assumirá o fornecimento de serviços de satélite para iPhone e Apple Watch.
Como a Apple perdeu o controle de sua própria rede
A Apple investiu US$ 1,5 bilhão na Globalstar em 2024. O negócio incluiu 1,1 bilhão para a construção de satélites e 400 milhões para uma participação de 20%. Em troca, Cupertino reservou 85% da capacidade da rede. Um quase monopólio confortável, para um parceiro de dimensão modesta.
Com a recompra de US$ 90 por ação, a Apple passa de acionista influente a simples cliente. O equilíbrio de poder está invertido. A Amazon herda os satélites, o espectro de rádio nas bandas L e S e a relação comercial com Cupertino. A Globalstar operou aproximadamente 24 satélites em órbita baixa. Amazon Leo já conta com mais de 200, com meta de 3.200 até 2029.
A operação alimenta uma corrida frontal com a Starlink, enquanto a Amazon já está dando passos gigantescos para alcançar a SpaceX neste nicho. A empresa de Elon Musk já opera mais de 10 mil satélites e atende mais de 9 milhões de assinantes em todo o mundo. Comprar a Globalstar é outro movimento forte: o desafiante ganha espectro, satélites operacionais e sobretudo a Apple como cliente cativo.
A transação deverá ser finalizado em 2027, sujeito aos reguladores. O presidente da FCC, Brendan Carr, disse “muito aberto” em arquivo. A Amazon planeja lançar seu próprio sistema direto ao dispositivo a partir de 2028.
Por que seu serviço de satélite gratuito está em tempo emprestado
A Apple oferece funções de satélite gratuitamente desde o iPhone 14 em 2022. O período de teste foi estendido três vezes. Vai até setembro de 2026 para o iPhone 14 e 15. Cada nova geração se beneficia de dois anos de ativação gratuita.
O problema: a Apple não controla mais a infraestrutura. Negociar o acesso à rede com uma pequena empresa da qual você possui 20% é uma coisa. Enfrentá-lo contra a Amazon, um concorrente direto no setor de eletrônicos de consumo, é outra. A Amazon não tem motivos para vender o acesso à sua constelação.
Se o custo operacional aumentar, a Apple terá que escolher. Absorva o aumento de suas margens, ou repasse. Hoje, o serviço abrange SOS de emergência, mensagens, localização via “Find” e assistência rodoviária. Vários observadores já previam um modelo freemium antes desta aquisição: emergências gratuitas, funções avançadas pagas. Serviços comparáveis, como Garmin InReach, cobram entre US$ 10 e US$ 50 por mês. A entrada da Amazon na equação poderá acelerar esta mudança.
A Apple teve pouca escolha. A única alternativa credível à Globalstar era a Starlink. Trocar um fornecedor controlado pela Amazon por uma rede dirigida por Elon Musk não teria simplificado nada. A Apple permanece dependente de terceiros para conectar seus dispositivos ao céu. O SOS de emergência por satélite permanecerá, sem dúvida, gratuito. Quanto ao resto, a Amazon agora acompanha.
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