Um novo ponto de fragilidade na tecnologia fotovoltaica foi descoberto. Um estudo recente lembra-nos que as instalações solares não estão apenas expostas a ataques cibernéticos, mas também a certas perturbações físicas.

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As instalações solares apresentam uma vulnerabilidade de segurança facilmente explorável. Um objeto tão banal como uma xícara de café que esconde um pequeno ímã pode ser suficiente para atrapalhar o funcionamento de todo um sistema. Isto foi revelado pela experiência realizada por Mohammad Al Faruque, pesquisador da Universidade da Califórnia.

Sensores vulneráveis ​​no coração do inversor

O ponto fraco das instalações fotovoltaicas estaria dentro do inversor, mais precisamente em seus sensores responsáveis ​​pela medição de corrente e tensão. Estes dispositivos apresentam, segundo o investigador, uma maior sensibilidade a perturbações físicas, nomeadamente modelos baratos baseados em tecnologias antigas.

Os campos magnéticos podem, de facto, modificar os sinais que registam. No entanto, uma vez alteradas as medições, todo o funcionamento da instalação pode ser distorcido e as decisões são tomadas com base em informações erradas. É sobre esta falha que os ataques podem ser realizados, sem manipulação física direta ou intrusão num sistema informático. Bastaria colocar próximo um dispositivo capaz de gerar perturbações controladas para influenciar o comportamento do sistema.

Uma xícara de café como arma?

O pesquisador Mohammad Al Faruque realizou um experimento para demonstrar essa falha. Ele projetou um pequeno dispositivo combinando um ímã com componentes eletrônicos baratos. O sistema projetado é capaz de gerar um sinal controlado e produzir um campo magnético modulado.

O aparelho foi escondido em uma xícara de café e depois colocado em um inversor. Graças a um módulo de rádio integrado, a equipe pôde conectar o aparelho a um computador, ativá-lo remotamente e ajustar com precisão a intensidade das perturbações emitidas. Como esperado, o sistema demonstrou a sua capacidade de influenciar medições de corrente e tensão.

Dispositivo desenvolvido por Mohammad e sua equipe. // Fonte: Universidade da Califórnia

Consequências potencialmente devastadoras

Os resultados do estudo são obviamente preocupantes, dadas as actuais tensões geopolíticas. Numa escala maior, as perturbações locais podem afectar toda uma rede eléctrica e levar a interrupções massivas, como a que Espanha sofreu no ano passado. O risco é ainda maior à medida que a participação da energia solar no mix energético continua a aumentar.

No futuro, esses ataques poderão até ser realizados remotamente por meio de drones, sem a presença física de uma pessoa. », alerta o cientista, em entrevista concedida a Revista PV.

É por isso que apela ao reforço da segurança física das instalações fotovoltaicas. Segundo ele, a proteção dos sites não pode mais se limitar aos sistemas de TI. Deve também incluir um controlo rigoroso do acesso, uma maior monitorização das centrais eléctricas e inspecções regulares do ambiente imediato dos equipamentos.

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A longo prazo, apela ao desenvolvimento de sensores mais robustos, capazes de resistir a perturbações magnéticas e eléctricas, a fim de limitar os riscos de manipulação externa.

Mohammad também enfatiza a necessidade de integrar a segurança na concepção dos sistemas energéticos. O chamado “ segurança desde o projeto » (que consiste em proteger os sistemas a montante da sua fase de concepção) permitiria, segundo ele, antecipar este tipo de ameaça antes que se concretizem.


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