euA crise que rodeia o Irão é um lembrete cruel de que a energia é a alavanca do poder. Nesta sequência, um país europeu destacou-se por uma liberdade de tom que poucos ousariam: a Espanha. Pedro Sanchez não só “marcou distância”, como recusou às forças americanas a utilização de duas bases militares na Andaluzia para realizar ataques contra o Irão. Uma postura surpreendentemente soberana numa Europa que, normalmente, curva as costas assim que o barril treme. Contudo, a liberdade diplomática de Espanha não é apenas política, é energética.
Durante quinze anos, Espanha transformou metodicamente o seu sistema energético. Em 2024, as energias renováveis representavam 56,8% do mix elétrico espanhol. A energia eólica lidera com 23% da produção, a solar fotovoltaica aumentou para 17% e as energias livres de carbono como um todo (renováveis e nucleares) cobrem agora quase 77% da eletricidade produzida. E, pelo terceiro ano consecutivo, Espanha é exportador líquido de eletricidade, com um saldo positivo de cerca de 10 terawatts-hora (TWh).
Do lado fóssil, a resiliência baseia-se na arquitetura original. Por exemplo, Espanha possui sete terminais de regaseificação, a maior capacidade de armazenamento e regaseificação da União Europeia, representando cerca de um terço da capacidade total do continente. Em 2024, é proveniente de 14 países diferentes.
Reduza dependências
O apagão de abril de 2025 trouxe a consciência para as vulnerabilidades mais recentes do sistema, que desde então foram resolvidas através de investimentos em armazenamento e interconexões. Resultado: quando as tensões geopolíticas ameaçam provocar uma nova onda energética, a economia espanhola prepara-se para absorver o choque melhor do que outras. É descrito hoje em dia como o mais resiliente em caso de pico petrolífero. A sua resiliência não deriva da auto-suficiência, mas do facto de ter reduzido metodicamente as suas vulnerabilidades: isto é, multiplicado as suas opções.
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