Quanto mais os dias passam, mais o governo dá a sensação de estar afundando no mato. Segunda-feira, 13 de abril, às 18h, o ministro do Trabalho, Jean-Pierre Farandou, deve receber os principais sindicatos para tentar chegar a um compromisso sobre a proposta de lei que facilita o trabalho no dia 1º de abriler-Maio, actualmente em análise no Parlamento. O governo parece pronto a abandonar um texto contestado pela esquerda e por todas as organizações de trabalhadores. Mas se forem feitas concessões, não é certo que aliviem as tensões sobre um assunto que, além disso, contribui para semear problemas no bloco central: o MoDem distanciou-se, de facto, da forma como esta reforma está a ser realizada porque é uma fonte, segundo ele, de tensões desnecessárias.
Foi o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, quem pediu ao Sr. Farandou que se reunisse com os sindicatos. Uma iniciativa guiada pela vontade de “tomar o tempo necessário para avançar em direção a uma solução eficaz e aceitável”segundo os elementos de linguagem destilados no domingo por Matignon. O objectivo é claramente atrasar o tumultuoso episódio ocorrido na sexta-feira na Assembleia Nacional. A proposta de lei em 1er-Maio, que ia ser debatido no Hemiciclo, não o foi, em última análise, porque uma moção de rejeição, apresentada pelos Macronistas, foi adoptada por quase todos os grupos que apoiavam o texto (Renascença, Horizontes, Reunião Nacional, União dos Direitos para a República, bem como Liberdades, Independentes, Ultramarinos e Territórios). Uma escolha, à primeira vista, confusa, mas que visava, na realidade, permitir que o projeto de lei continuasse o seu percurso legislativo, estando a esquerda decidida a impedi-lo. Os representantes do MoDem, a favor do conteúdo da reforma, manifestaram-se contra a moção de rejeição, porque queriam que a discussão ocorresse.
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