A poucos metros dos food trucks e das longas mesas animadas instaladas no terraço do Ground Control, antigo centro de triagem postal parisiense convertido em terceiro lugar cultural e festivo, o contraste é marcante. Atrás de uma cerca, fora de vista, o ar cheira a madeira quente. Do lado de fora, em um cenário de vegetação de bambu e grama, três barris fumegantes aquecidos entre 70°C e 90°C enfrentam cinco tanques de água fria ou gelada (opção de 10°C ou 5°C). Por aí circulam silhuetas em trajes de banho, toalhas nos ombros, pele avermelhada pelas costas entre o quente e o frio. Alguns hesitam, outros mergulham nas piscinas.
Desde o final de janeiro, a poucos passos das partidas do TGV e da Gare de Lyon, um perfume da Escandinávia flutua o ar. Foi aqui que foi inaugurada a primeira sauna mista, coletiva, urbana e ao ar livre da França. Na entrada, as regras dão o tom: não comentar o corpo ou as tatuagens dos outros, torso nu é permitido independente do sexo, mas é obrigatório usar a parte de baixo do biquíni, não usar telefone nem álcool, tomar banho antes de cada visita.
Este site dedicado à transpiração coletiva ilustra uma tendência que está em ascensão, como uma coluna de vapor. Nas cidades ou nas costas bretãs, uma nova geração redescobre as virtudes da sauna: já não como equipamento de spa ou luxo nórdico, mas como local de sociabilidade desconexa e sóbria.
Nesta noite fria e ventosa do início da primavera, Tuomas Ollila, nascido em Helsínquia e jogador profissional de futebol do Paris FC, encontra sensações familiares. “Eu estava procurando um lugar para chamar de lar”confidencia o defesa internacional, calmamente imerso numa piscina de água fria. Ao seu lado, sua amiga Isa (as pessoas mencionadas pelo primeiro nome pediram anonimato) desfruta “este pedacinho da Finlândia” na íntegra 12e bairro. “É bom encontrá-lo aqui. Sentimos falta dele. » Neste país que tem quase uma sauna por agregado familiar (3,3 milhões para 5,6 milhões de habitantes), a prática, listada desde 2020 como património cultural imaterial da UNESCO, faz parte tanto do quotidiano privado como do ritual colectivo. Eles são encontrados em edifícios, estádios, aeroportos, empresas e até no Parlamento.
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