Que assunto é mais propício do que o mil-folhas territorial para acordar o Palais-Bourbon? Apoiado em particular pelo grupo da Renascença, o projecto de lei que prevê a remoção da Alsácia da região do Grande Leste provocou intensos intercâmbios entre deputados, como esperado. Se o texto foi aprovado (por 131 votos a 100), graças nomeadamente ao Rally Nacional (RN), não aconteceu sem problemas, a tal ponto que a sua apreciação, inicialmente marcada apenas para terça-feira, 7 de abril, se estendeu até quarta-feira. O resultado dos debates mina, no entanto, as possibilidades reais de transformar a Comunidade Europeia da Alsácia – resultante da fusão do Baixo Reno e do Alto Reno – numa região plenamente funcional.
A reforma regional de 2016 “negou a singularidade alsaciana afogando-a numa região imensa”estimou a macronista Brigitte Klinkert, na origem do texto. Este “não é contra a região do Grande Leste”acrescentou o deputado do Alto Reno em resposta à esquerda e aos socialistas, que apresentaram uma moção preliminar de rejeição, que acabou por ser rejeitada. “Não vamos legislar precipitadamente”defendeu o deputado de Mosela Belkhir Belhaddad (ligado ao PS) ao denunciar uma “divisão territorial”. A ecologista Sandra Regol, eleita representante do Baixo Reno, por sua vez denunciou uma “decepção”. Este texto, ela considerou, “é apenas uma questão de poder local e nacional, para quem quer tentar angariar votos para as eleições presidenciais de 2027”.
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