A OPINIÃO DO “MUNDO” – A NÃO PERDER
Uma jovem, o sol e o mar. O encanto de Romeriaterceira longa-metragem da cineasta espanhola Carla Simon, apresentada em competição no Festival de Cannes em maio de 2025, deve muito ao seu cenário de verão. A trama principal do filme concentra-se em alguns dias de julho de 2004, na Galiza, perto de Vigo e das Ilhas Cíes. Lá vamos passear de barco, relaxar na praia antes de dar um mergulho no Oceano Atlântico, apesar da frescura da água. Se o céu às vezes estiver nublado, Romeria é banhado por luz solar que traz muito calor ao conjunto. Carla Simon tem um talento inegável para filmar paisagens com sensualidade, focando no reflexo do sol na água, na espuma das ondas quebrando na costa, nos cabelos ao vento…
Mas mais do que a geografia, é antes de tudo a história que está em jogo aqui. Ou mais precisamente de memória. A diretora valeu-se de material biográfico próprio para compor a personagem Marina (Llucia Garcia). Órfã de 18 anos que se prepara para estudar cinema, ela visita pela primeira vez a família do pai, que nunca conheceu. Além disso, ao retirar sua certidão de óbito, necessária para a obtenção de uma bolsa escolar, ela percebe que sua ascendência não consta oficialmente ali. Será aqui uma questão de lacunas a preencher.
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