Crianças brincando ao ar livre, roupa secando na frente das casas… À primeira vista, o bairro Mama Nzénzé, em Kinshasa, parece-se com todos os outros da capital da República Democrática do Congo. Mas existe esse cheiro pestilento, que escapa do chão e assalta o visitante desde o momento em que se aproxima. A razão é simples: a favela está empoleirada em pilhas de garrafas plásticas, latas, fios elétricos, sapatos e misturas pútridas.
Situado numa planície da bacia do rio Congo, na comuna de Limete, este distrito pantanoso é uma das zonas historicamente mais vulneráveis às cheias que ocorrem durante a época das chuvas, de Outubro a Maio. “Optamos por acumular toneladas de lixo com o objetivo de elevar as nossas casas em cerca de dois metros”explica imediatamente Didier, 49 anos, camisa jeans e smartphone na mão, que não quer divulgar o sobrenome.
Essa escolha é consequência de um trauma. Entre o final de 2023 e o início de 2024, chuvas excepcionais provocaram o transbordamento do rio, provocando inundações mais significativas do que o habitual em vários distritos da capital congolesa. A crise humanitária não teve precedentes e a resposta das autoridades foi inexistente.
Você ainda tem 77,89% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.