A guerra no Médio Oriente perturbou os mercados do petróleo e do gás. Ao mesmo tempo, arrisca-se a inaugurar o regresso ao favor do combustível fóssil mais poluente, o carvão. A energia é vista como uma solução de emergência relativamente barata e facilmente acessível em países ameaçados pela escassez de fornecimentos de gás natural liquefeito (GNL) do Golfo Árabe-Pérsico.
“É o ano do carvão. Ele vai voltar para todos os lugares.”prevê Anne-Sophie Corbeau, pesquisadora do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia, em Nova York. A tendência já é clara na Ásia. Principal cliente do gás do Catar, a região está preocupada com uma interrupção no fornecimento, embora nenhuma carga tenha atravessado o Estreito de Ormuz desde o início do conflito. Segundo dados compilados pela agência Bloomberg, as importações asiáticas de GNL registaram a maior queda em março (-8,6%) em mais de três anos. “A Ásia não tem escolha, deve reduzir a sua procura de gás”estima Mmeu Corvo.
Para evitar cortes de energia, cada vez mais países recorrem ao carvão. Uma energia que já representa mais de 50% da produção de electricidade neste continente que enfrenta enormes necessidades energéticas. Mas embora muitos países estivessem a trabalhar num calendário de saída, como parte dos planos para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, a prioridade é agora“garantir segurança energética imediata”resume Alicia Garcia Herrero, economista-chefe do banco Natixis para a Ásia-Pacífico.
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