“Aos domingos e algumas quintas-feiras, iam ao Quai de Valmy, em direcção à rue de Marseille, rue Dieu, iam ver Sylvie Fabre…” Tantos subterfúgios e pepitas na linguagem de Jean Echenoz: uma única frase, pela sua precisão quase incongruente, consegue expressar a passagem do tempo, o luto, o ritual. As palavras saltam, transportadas pelas elipses, pelas metonímias, tecendo uma história repleta de mistérios.
“Nos domingos a gente entende bem, mas por que certas quintas? Não sabemos”nota com prazer Guy Delisle, quando o encontramos, no início de março, em Paris, nas instalações da Gallimard. Conhecido pelas histórias em quadrinhos de viagens por lugares improváveis, na China, Coreia do Norte, Birmânia ou Jerusalém, ou pelas autonarrativas humorísticas sobre sua autoria, o autor quebequense, radicado em Montpellier, muda de registro oferecendo seu Uso da terraem homenagem a um conto de Jean Echenoz publicado em 1988 pela Editions de Minuit.
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