Com o astrofísico Olivier Berné (CNRS), a historiadora Emmanuelle Perez Tisserant (Universidade Toulouse-II Jean-Jaurès) e a pesquisadora de ciências ambientais Tamara Ben Ari (Inrae) publicaram O momento orwelliano (Limiar, 240 páginas, 19 euros, digital 14 euros). Estes autores denunciam os ataques contra a ciência em ambos os lados do Atlântico, tentam compreender as suas motivações e propõem formas de os combater.
O que há de orwelliano neste mundo?
Tamara Ben Ari: Este segundo mandato de Donald Trump já não é apenas um período em que os resultados da ciência são contestados ou cujo significado é minimizado. São estas mesmas condições que permitem realizar pesquisas, realizar investigações, estabelecer provas que são atacadas por cortes orçamentais brutais e massivos, despedimentos, encerramento de observatórios e bases de dados… O objectivo é negar a capacidade da ciência para descrever o mundo. O filósofo e editor Jean-Jacques Rosat fala do romance de Orwell 1984 [paru en 1949] que é uma ficção realista que descreve uma sociedade totalitária. No livro, mostramos como estes mecanismos orwellianos funcionam para acompanhar esta destruição.
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