Isto é óbvio, recordado com serenidade e malícia pelo advogado da Assembleia Nacional, Antoine Marchand: “Ninguém deve ignorar a lei, nem mesmo o deputado que vota nela”. Diante dele, esta quinta-feira, 2 de abril, no tribunal judicial de Paris, Jean-Jacques Bridey acolhe-o, estóico.
O antigo vice-presidente da Câmara de Fresnes (Val-de-Marne), um antigo socialista que se tornou um dos primeiros apoiantes de Emmanuel Macron, estava a ser julgado por “desvio de fundos públicos”. É suspeito de ter gasto para fins pessoais 145.749 euros de despesas de escritório entre 2013 e 2019. É também despedido por “concussão”: entre 2014 e 2016, a compensação dos seus vários mandatos ultrapassou o limite máximo previsto na lei para os rendimentos eletivos em 84.251 euros. A Procuradoria Nacional das Finanças (PNF) considera que o governante eleito deveria ter comunicado o facto às comunidades afectadas para que reduzissem a sua indemnização – como fez em 2010 com a Câmara Municipal de Fresnes.
Diante do tribunal, o veterano político, reeleito vereador em março, joga a carta do homem apressado, tendo seguido o “usa” dos seus colegas deputados sem se deter na forma e já sem se lembrar de muita coisa. O que ele diz sobre “concussão”, pergunta o juiz Gérald Bégranger? “Pensei que cabia às comunidades dar este passo. Não era eu, como governante eleito, que tinha conhecimento de todos os seus mistérios legislativos! »exclama o Sr. Bridey.
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