“Eu sussurro para o meu passado, tenho outra escolha” (2010), de Tracey Emin.

Para quem duvida da celebridade de Tracey Emin no Reino Unido, uma visita à sua retrospectiva na Tate Modern fornece uma resposta inequívoca. É difícil circular por lá, pois o público, de todas as idades, gêneros e condições sociais, é muito denso. Então é preciso persistência para conseguir olhar um pouco para os desenhos, monotipias e bordados que têm a infelicidade de ficar pendurados na sala onde é projetado seu vídeo monólogo Como é a sensação (1996), são tantas as multidões que lhes dão as costas. Não há nada de surpreendente nesta paixão: durante quase trinta anos, Emin tem sido simultaneamente o demônio, o mártir e a heroína da cena artística britânica.

A demônio: Emin nunca escondeu nada sobre sua vida sexual. O primeiro escândalo que causou foi a apresentação, na Royal Academy of Arts, em 1997, da peça Todas as pessoas com quem já dormi entre 1963 e 1995uma tenda onde estavam costurados os nomes de todas as pessoas com quem ela dormiu, desde seu irmão gêmeo até seus amantes, efêmeros ou mais duradouros. A segunda foi a instalação Minha cama (1998): sua cama desfeita, suja, coberta de camisinhas, lixo e objetos diversos, como o tapete em que está colocada, um ready-made e a relíquia de um amor que acabara de terminar. A primeira sala foi destruída por um incêndio; a segunda, que se tornou a obra mais conhecida de Emin, está ali, quase sozinha, em sua sala.

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