O tamanho do pênis aumentou supostamente nos últimos anos. Boas notícias? Parece que não! Este podcast La Santé sur Listen explica as consequências que o tamanho do trato genital pode ter na saúde e na reprodução. ©Futura

O caso eclodiu há alguns anos, mas merece ser lembrado porque as suas implicações são importantes para os bancos de esperma à escala global. Entre 2006 e 2022, um doador dinamarquês anónimo, conhecido pelo pseudónimo “Kjeld”, forneceu o seu esperma ao Banco Europeu de Esperma, com sede na Dinamarca.

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Resultado: nasceram 197 crianças em 14 países diferentes graças às suas doações. Mas a descoberta de uma mutação rara no gene TP53 neste doador lançou desde então uma sombra preocupante sobre estes nascimentos.

O gene TP53: um ator-chave na luta contra o câncer

Para entender o gravidade da situação, devemos primeiro compreender o papel fundamental do gene TP53 no nosso corpo. Este gene produz a proteína p53, que os cientistas chamam de “guardiã do genoma”.

Concretamente, esta proteína cumpre três funções essenciais:

  • Ela monitora constantemente oADN de cada célula.
  • Bloqueia a divisão celular quando o dano é detectado.
  • Decide reparar o ADN danificado ou provocar a morte da célula em questão.

Quando o gene TP53 sofre mutação, a proteína p53 torna-se defeituosa. Células com DNA danificado podem então se multiplicar livremente, formando tumores canceroso. No entanto, a mutação transportada por “Kjeld” não era uma mutação clássica do gene TP53: era uma variante rara, nunca descrita antes de acordo com o Banco Europeu de Esperma.

Foto de rato produzida a partir de esperma enviado pelo correio. © Daiyu Ito, Universidade Yamanashi

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Fato perturbador: isso anomalia foi encontrado apenas em uma fração de seu esperma, não em todo o seu corpo. O próprio doador não desenvolveu nenhum Câncer. É precisamente este carácter localizado que tornou a sua detecção tão difícil durante exibições pré-requisitos para doação.


A medicina reprodutiva, por mais avançada que seja, ainda está na sua infância. Esta variante rara do gene TP53, nunca observada antes, afeta apenas parte do esperma e não o resto do corpo do doador, o que explica porque ele próprio não é afetado. © Imagens Morsa, iStock

Quando o sonho de uma criança esbarra em riscos genéticos

A Dinamarca abriga o Banco Europeu de Esperma, um dos maiores do mundo. O país escandinavo é um ator importante na doação de gametas em escala internacional. É neste contexto que, entre 2006 e 2022, o esperma de “Kjeld” foi distribuído por 67 clínicas em 14 países, permitindo o nascimento de 99 crianças na Dinamarca e 98 outras no estrangeiro.

O primeiro sinal alerta ocorreu em abril de 2020: o banco foi informado que uma criança dessas doações havia desenvolvido câncer e era portadora de uma mutação genética. Três anos depois, um segundo caso semelhante foi relatado. Esses dois alertas desencadearam uma análise aprofundada do esperma armazenado do doador, revelando a mutação TP53, anteriormente invisível.

A mulher de 36 anos já desenvolveu doze tumores de diferentes tipos, sendo pelo menos cinco malignos. © Krakenimages.com, Adobe Stock

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Como lembrete, oinfertilidade afecta entre 15 e 25% dos casais franceses, segundo um relatório do Inserm publicado em 2019. Face a esta realidade, a doação de esperma representa uma solução valiosa para muitas famílias. Mas este caso levanta uma questão crucial: protocolos triagem genético Os estudos atuais são suficientemente robustos para identificar tais mutações localizadas e raras?

Nem todas as crianças nascidas do esperma deste doador herdaram esta anomalia genética. Alguns carregam a mutação, outros não. Esta variabilidade não reduz, no entanto, a urgência de um acompanhamento médico rigoroso para cada um deles.

Este caso lembra-nos que a medicina reprodutiva, por mais avançada que seja, continua confrontada com os limites do rastreio genético face às mutações mais raras e localizadas.

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