Se aglomerados de cancros ou outras doenças não transmissíveis aparecem regularmente em determinados territórios, é quase sempre impossível elucidar a posteriori as causas destas anomalias estatísticas. Publicado quarta-feira, 1ºerAbril na revista Saúde da Naturezatrabalhos pioneiros liderados por pesquisadores franceses e peruanos abordam a questão na direção oposta: partem da exposição dos territórios a substâncias tóxicas – as“exposição espacial” – explorar as suas ligações potenciais com riscos excessivos localizados de certas doenças.
Inédita pela diversidade de disciplinas envolvidas (geografia, epidemiologia, biologia molecular, etc.) e pela sua ambição científica, a metodologia desenvolvida pelos autores foi aplicada na escala de um país inteiro, o Peru. Ela mostra um “associação robusta” entre a exposição ambiental aos principais agrotóxicos utilizados no país e o aumento do risco de certos tipos de câncer em mais de 400 áreas distribuídas por todo o território do país sul-americano. Localmente, o risco de doenças pode aumentar quase dez vezes. Desde os resultados até “implicações importantes” para políticas de saúde pública e prevenção do câncer, afirmam os pesquisadores.
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