Se o cão é de facto o amigo mais fiel do Homem, não sabemos exactamente quando remonta esta amizade, que também leva o nome de domesticação. O cachorro (Canis lupus familiaris) é de facto o animal doméstico mais antigo, mas como é difícil distinguir com precisão se os ossos pertencem a um cão ou a um lobo (Lúpus canino), é ainda mais arriscado datar o momento em que ocorreu a transição de uma espécie para outra, a menos que recorramos à paleogenética.

Dois estudos, publicados na revista Natureza, fornecem agora elementos-chave que permitem uma melhor compreensão da evolução desta relação privilegiada, analisando, por um lado, mais de 200 genomas de canídeos europeus pré-históricos e, por outro, os genomas de dois cães que acabam por ser não apenas os mais antigos alguma vez identificados na Eurásia Ocidental, mas que surpreendentemente viveram em ambos os extremos do continente. Os seus resultados atrasam assim a data da domesticação em vários milénios e tornam possível traçar parcialmente a dispersão dos cães europeus desde o Paleolítico até ao Neolítico, demonstrando de passagem que os cães actuais são em grande parte herdeiros dos cães mesolíticos.

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