O grande tubarão-martelo, a hiena listrada… A Convenção das Nações Unidas para a Conservação das Espécies Migratórias (CMS) aprovou, no domingo, 29 de março, a inclusão de 40 novas espécies agora sujeitas a proteção internacional, no final do seu 15ºe reunião (COP15) esta semana no Brasil.
Esta lista aprovada na última sessão plenária inclui nomeadamente a coruja-das-neves (Bubo scandiacus), a coruja que ficou famosa pela saga Harry Potter, ou o maçarico-hudsoniano (Limosa haemastica), uma ave de bico longo ameaçada de extinção que percorre 30.000 quilómetros por ano ao longo das Américas. O grande tubarão-martelo (Sphyrna mokarran) também aparece por lá, além de mamíferos terrestres, como a hiena listrada (Hyaena hyaena) ou mamíferos aquáticos, como a ariranha gigante brasileira (Pteronura brasiliensis).
O encontro, que reuniu representantes de 133 partidos (132 países e União Europeia), aconteceu em Campo Grande, no Pantanal brasileiro, uma das áreas de maior biodiversidade do planeta, localizada ao sul da Amazônia.
Colapso da migração
A Convenção é juridicamente vinculativa, o que significa que estes países têm a obrigação legal de proteger as espécies listadas como ameaçadas de extinção, de conservar e restaurar os seus habitats, de minimizar os obstáculos à sua migração e de cooperar entre si para levar a cabo esta preservação.
De acordo com um relatório divulgado pouco antes da COP15, quase metade (49%) de todas as espécies listadas no CMS apresentam tendências de declínio populacional e quase uma em cada quatro está ameaçada de extinção a nível mundial.
Outro relatório, publicado terça-feira, alertou sobre “o colapso” migrações essenciais à sobrevivência de espécies de peixes de água doce, como as enguias, causadas pela degradação de habitats naturais, pesca excessiva ou barragens.
“Esta Convenção (…) lembra-nos uma mensagem simples mas poderosa: as migrações são naturais. Ao cruzar continentes e conectar ecossistemas distantes, estas espécies revelam que a natureza não conhece fronteiras entre estados.declarou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante seu discurso de abertura, há uma semana. “Proteger estes animais significa proteger a vida no planeta”ele resumiu.