euA mosca da neve é uma criatura surpreendente, que ri do frio quando outros insetos sucumbem a ela. Mesmo que isso signifique pagar o preço: um estudo publicado em 2023 mostrou que ele perde naturalmente as pernas quando o vento começa a congelá-las, para proteger o resto do corpo. Ela pode assim continuar seu caminho entre os cristais de gelo em direção a um potencial parceiro sexual, restando apenas três pernas de seis – ela não voa, uma nevasca em evolução privou-a de suas asas, inúteis em um ambiente com muito vento.
Um novo estudo publicado em 24 de março em Biologia Atual sugere que a sua adaptação ao frio – prefere temperaturas entre 0 e –3°C – evoca mecanismos observados em ursos polares ou peixes árticos. Marco Gallio (Northwestern University, Illinois) e seus colegas sequenciaram pela primeira vez o genoma da espécie Chionea alexandriana e identificou uma série de genes responsáveis pela produção de proteínas com estrutura próxima àquela que, nos peixes do Ártico, possui propriedades anticongelantes. Estes têm a capacidade de se associar a cristais de gelo para impedir o seu crescimento nos tecidos do animal.
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