PJá que está provado que só os idiotas não mudam de opinião, procuremos hoje demonstrar um mínimo de lucidez, para não dizer inteligência. Em outubro de 2012, realizamos aqui mesmo uma execução rigorosa de calças de couro, zombando com desprezo da capacidade de algumas pessoas se desviarem estilisticamente para manter suas fantasias juvenis. Nesse caso, equiparamos seus usuários a roqueiros fracassados, motociclistas frustrados ou cowboys reprimidos, conforme desejado.

Quase catorze anos depois, é evidente que invertemos a nossa posição sobre o assunto. Com efeito, se as calças de couro não passaram a fazer parte do nosso guarda-roupa pessoal – não exageremos – o seu interesse e encanto aparecem-nos hoje com mais clareza. Saindo de uma lógica de panóplia que se assemelha a um disfarce, associada a materiais mais banais e menos agressivos, escolhidos, sobretudo, no tamanho certo, ou seja, aquele que não transformará a operação de despir num doloroso descascamento, esta peça pode efectivamente fortalecer um traje e um guarda-roupa.

Na verdade, mais do que na cor, no corte ou na qualidade do couro, o seu segredo está na capacidade de quem o usa em banalizar o acontecimento. Concretamente, é adequado, ao vestir esta peça de roupa pela primeira vez, esconder as suas emoções, conter a sua excitação e poupar aos seus colegas ou amigos a emoção vivida ao seguir os passos de Jim Morrison ou da Mulher-Gato durante o espaço de um dia. Cale-se. E, se a calça ranger, silencie-a alimentando-a com um leite de manutenção destinado a esse fim.

Neste caso particular, aqui estamos, mais uma vez, remetidos ao ilustre mandamento formulado na década de 1960 pelo estilista e alfaiate inglês Hardy Amies: “É preciso escolher as roupas com inteligência, vesti-las com cuidado e não pensar nelas o dia todo. » As décadas nunca negaram isso. Isso apenas mostra que, se os imbecis não mudarem de ideia, as pessoas inteligentes postulam verdades imutáveis.

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