
Gérard Lanvin nunca perseguiu prêmios. Com uma franqueza sem filtros, ele denuncia o cinema “familiar”, a política e as disfunções da sociedade… mantendo-se fiel a si mesmo.
O ator Gérard Lanvin, duplo vencedor do César, nunca veio buscá-los. Durante uma entrevista transmitida pela TF1 em 2021 em Sete às oitoele falou com sua lendária franqueza sobre esses prêmios (via Le Fígaro).
“Todos ficam irritados e acham isso lamentável, mas ninguém se atreve a dizê-lo.”Ele acrescentou, não sem ironia:“Não há famílias no cinema, isso é uma piada.”
Lanvin abraça totalmente esta independência de tom, ciente de que isso o prejudicou algumas vezes em sua carreira: “É assim que é e não importa. Não tento seduzir quem não gosta de mim. Não tenho tempo, tenho 70 vassouras.”
O ator ganhou o César de Melhor Ator em 1995 por O Filho Favorito de Nicole Garcia, bem como o de Melhor Ator Coadjuvante em 2001 por O Gosto dos Outros de Agnès Jaoui.
Uma carreira marcada pelo compromisso e pela liberdade artística
No momento da entrevista, com quase 71 anos, Gérard Lanvin explorou então um novo território artístico com o lançamento de seu primeiro álbum, fruto da colaboração com seu filho mais velho, Manu. Muito comprometido, o álbum musica suas críticas ao mundo contemporâneo. Ele confidenciou:
“Os tempos são desconcertantes e angustiantes, a tecnologia apodreceu o mundo. Tornou-se uma era miserável, onde os estúpidos falam por trás das telas. Isso é denúncia e denúncia.”
No seu single “Entre dizer e fazer”, destacou as sucessivas presidências de Nicolas Sarkozy a Emmanuel Macron: “Estas presidências são presidências de celebridades, não retemos nada politicamente delas.”
Denunciou também as disfunções nas instituições públicas: “Para onde vai todo o dinheiro que nos pedem para dar? Todos esses impostos que pagamos… Tudo é uma merda e vemos isso hoje. Com esse problema do Covid, tudo foi revelado, não há nada que funcione e é uma pena”, lamentou.
Um retrato assinado por Harry Roselmack
Durante o show, Harry Roselmack resumiu o personagem de Gérard Lanvin com precisão: “Encaixar-se no molde não é coisa dele. Gérard Lanvin fascina, mas não quer seduzir“. A entrevista, conduzida por Audrey Crespo-Mara, destacou o caráter completo e autêntico do ator, hoje com 75 anos, fiel a si mesmo mesmo explorando novos horizontes artísticos.
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