Enigma: é encontrado em muitos armários de remédios de família. É utilizado em casos de dor e febre. Seus efeitos anticancerígenos foram demonstrados há mais de cinquenta anos. Pensa-se que poderia reduzir o risco de proliferação de metástases nos órgãos. Quem é?
Resposta: aspirina! Uma equipe de pesquisadores ingleses acaba de compreender os mecanismos pelos quais isso causa a destruição das metástases. Esta é uma excelente notícia, porque 90% das mortes relacionadas com o cancro são causadas por metástases, e esta descoberta reforça a esperança de que um dia a aspirina seja prescrita a mais pacientes.
Um efeito que permaneceu misterioso durante várias décadas
Até agora, acreditava-se que as propriedades anticancerígenas da aspirina estavam ligadas aos seus efeitos anti-inflamatórios. Mas nada havia sido comprovado sobre seus mecanismos precisos de ação, o que impediu a introdução desse medicamento no arsenal de tratamentos utilizados pelos oncologistas.

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Durante vários meses, os investigadores administraram pequenas doses de aspirina a ratos que sofriam de vários tipos de cancro: cancro da mama, cólon ou câncer de pele. Comparado com o roedores que não receberam aspirina, estes ratos tiveram significativamente menos metástases, mas também menos tromboxano A2 no sangue, um efeito que os investigadores atribuem à aspirina.
Facilitar a ação das células imunológicas
Este último conseguiu demonstrar que, em circunstâncias normais, o tromboxano A2 ajuda as células cancerígenas “metastáticas” a protegerem-se das células imunitárias do corpo, em particular linfócitos T.

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Quando a produção de tromboxano diminui graças à aspirina, as células cancerígenas deixam de ter esta proteção e os linfócitos T conseguem eliminá-las, reduzindo assim o risco de proliferarem noutros órgãos.
Próximo passo para os pesquisadores: fazer o mesmo experimento em humanos para ver se a aspirina usa o mesmo mecanismo e identificar em quais tipos de câncer esse analgésico é realmente eficaz.