
Conhecida pelos seus preços reduzidos, a empresa francesa está agora a enfrentar os gigantes da tecnologia. Ao anunciar óculos inteligentes por menos de 50 euros, a Blacksheep promete democratizar a inteligência artificial vestível, correndo o risco de levantar sérias questões sobre a real qualidade do produto.
O mercado de óculos conectados tem sido até agora dominado por players históricos de tecnologia que oferecem modelos premium em torno de 300 euros. A jovem marca Blacksheep decidiu dinamitar este setor com uma proposta de preços extremamente agressiva. Por 49 euros, a empresa promete um concentrado de tecnologias que inclui captura de fotos e vídeos, assistente de voz equipado com inteligência artificial, tradução instantânea e funcionalidades de áudio.
O modelo de custo ultrabaixo aplicado aos óculos conectados
Para justificar tamanha diferença de preços em relação à concorrência, a empresa se apoia na receita que a tornou bem-sucedida na perspectiva tradicional. Muitas vezes apelidada de “Shein dos óculos”, a marca construiu a sua reputação eliminando todos os intermediários e adquirindo diretamente de fábricas asiáticas. Esta estratégia 100% Made in China é assumida por esta marca fundada pelo empresário francês Pierre Wizman. Já lhe permitia oferecer armações clássicas por menos de três euros.
O discurso mercadológico da marca denuncia abertamente as margens praticadas pela indústria tecnológica. A Blacksheep afirma que já existem componentes em abundância e que as linhas de produção asiáticas estão a funcionar a plena capacidade, tornando os preços premium completamente injustificados. A ovelhinha negra resume sua visão explicando:
“A IA wearable não é mais um objeto de demonstração. É um produto. A partir daí, a inovação não pode mais permanecer exclusiva e o preço não pode mais ser desconectado da realidade industrial. »
Comprometimentos inevitáveis na qualidade
Se a promessa de tornar a inovação acessível a todos é atrativa, a realidade material exige uma certa cautela. Um preço de 49 euros implica necessariamente grandes concessões na qualidade dos componentes de bordo. Em comparação com modelos topo de gama desenvolvidos por gigantes como a Meta, os sensores fotográficos e microfones integrados nas molduras Blacksheep oferecerão logicamente um desempenho muito mais básico.
A maioria dos modelos de € 49, no entanto, inclui uma câmera de 8 Mpx e um microfone duplo. Os óculos pesam cerca de 40 gramas e possuem bateria de 255-410 mAh. Eles são controlados por meio de um aplicativo e possuem recursos como tradução em tempo real e áudio de orelha a orelha.
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Este lançamento também levanta questões recorrentes sobre o modelo social e ambiental desta produção de baixíssimo custo. No passado, alguns clientes da marca já tinham manifestado reservas quanto à precisão da centragem óptica das lentes corretivas encomendadas a preços imbatíveis. A adição de componentes eletrónicos complexos a estes novos quadros constituirá, portanto, um verdadeiro teste industrial para a jovem marca.
Estes óculos conectados de baixo custo já estão disponíveis na loja online da empresa, bem como nas suas lojas pop-up localizadas em Paris, Bruxelas e Lille.
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