TEMNo dia seguinte às eleições municipais, o Estado-Maior do partido Les Républicains (LR) certamente não se rebaixará a agradecer ao Comício Nacional (RN); mas ele pode pelo menos agradecer ao seu eleitorado. Foi sem dúvida graças a ele que obteve as suas maiores vitórias, em Clermont-Ferrand e Limoges. Nestas duas grandes cidades, como em Brest (Finistère), a retenção do candidato da extrema-direita na segunda volta não impediu que a direita vencesse a esquerda num triangular, devido a uma deserção de votos do RN entre as duas voltas.
O partido de extrema-direita perdeu dois terços dos seus eleitores em Brest ou Clermont-Ferrand, um terço em Limoges, metade em Tulle, Gap ou Istres (Bouches-du-Rhône), onde a direita sempre venceu. O próprio Jordan Bardella mostrou o caminho, ao afirmar a sua preferência em Paris por Rachida Dati, apesar do seu duplo estatuto de protegida de Emmanuel Macron e arguida num caso de corrupção, contra a esquerda de Emmanuel Grégoire.
Dadas as configurações resultantes do primeiro turno, onde a direita muitas vezes superou o RN, esse fenômeno de votação útil foi muitas vezes unilateral. Mas existem exceções e mostram a crescente tentação dos eleitores de direita pelo voto no RN. No segundo turno, os candidatos de direita perderam terreno porque o RN parecia mais bem colocado para vencer a esquerda. Foi o que aconteceu, sem sucesso, em Nîmes, Saint-Etienne e Martigues (Bocas do Ródano). A extrema direita está a descobrir reservas de votos noutros lugares que não entre os abstencionistas.
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