
O monitoramento de prisões e hospitais psiquiátricos denunciou nesta terça-feira “graves ataques aos direitos” dos pacientes do centro psiquiátrico do hospital de Melun (Seine-et-Marne), onde ocorreu um número anormal de mortes e menores ainda se misturam com adultos.
“O setor psiquiátrico carece cruelmente de psiquiatras e cuidadores” em França, mas a situação no centro hospitalar de Melun é “particularmente grave”, denunciou o Controlador Geral dos locais de privação de liberdade, Dominique Simonnot, entrevistado pela franceinfo.
Num relatório publicado terça-feira no Diário da República, a autoridade administrativa que representa (o Controlador Geral dos Locais de Privação de Liberdade, CGLPL) nota em particular que, neste centro com 88 camas, “o número de mortes de pacientes” é “anormalmente elevado”: sete entre 1 de janeiro de 2024 e 1 de agosto de 2025, cinco dos quais foram hospitalizados sem consentimento.
Nenhuma dessas mortes foi suicídio, disse ele.
O Grupo Hospitalar Sud Ile-de-France respondeu na terça-feira destacando, num comunicado de imprensa, “os numerosos progressos” alcançados desde a primeira visita da CGLPL em maio de 2022.
Mas, na rádio, Dominique Simonnot acrescentou depois: “Não vimos a sombra do início do progresso, a não ser vindo da equipa de saúde que tem feito esforços em determinados níveis, mas não nos principais”. “Se a Agência Regional de Saúde (ARS), as autoridades de saúde, o ministro da Saúde não agirem, os pacientes teriam todo o interesse em recorrer judicialmente”, recomendou mesmo.
O relatório aponta para uma monitorização insuficiente dos pacientes relativamente a todas as condições não psiquiátricas de que possam sofrer.
A autoridade independente considera ainda que “o estabelecimento dispõe de um número excessivo de salas de isolamento e faz uma utilização indevida das mesmas”.
O hospital, no entanto, garante que reagiu para “limitar o uso de medidas de isolamento e contenção, que estão a diminuir”. Argumenta, nomeadamente, que a consulta médica foi “sistematizada aquando da entrada em isolamento”.
– É necessário um centro para menores –
Há anos que também ali se denuncia uma situação: os pacientes menores são “internados a tempo inteiro nas unidades de adultos do centro psiquiátrico”, contrariando a regulamentação, lamenta a CGLPL.
“Os menores internados em cuidados independentes estão sujeitos a medidas de isolamento e contenção, em aplicação de decisões ilegais”, critica ainda o seu relatório.
O hospital afirma que “os menores já não são colocados em quartos de isolamento”, mas “passam a ser alojados exclusivamente em quartos de hotel”. Ele observa ainda que “um protocolo para internação de adolescentes foi finalizado em 2026”.
Parecendo recorrer ao governo, o establishment lembra sobretudo que Seine-et-Marne, o maior departamento de Ile-de-France, sofre de “um baixo número de psiquiatras infantis” e “da ausência de unidades de hospitalização adequadas para crianças e adolescentes, especialmente aqueles com pensamentos suicidas”.
Para os representantes do pessoal contactados no local pela AFP, “é fundamental não atribuir a responsabilidade desta situação apenas aos médicos e cuidadores, exaustos e confrontados com uma escassez crónica de pessoal”: “Eles próprios não aguentam mais”, argumenta a delegada do Sud Santé, Valérie Christian.
Há três anos, em janeiro de 2023, já se manifestavam, lançando um “É preciso uma morte para conscientizar?”. O próprio diretor do hospital na época lamentou a falta de uma estrutura dedicada ao atendimento de menores.
“Eles criaram uma +chamada de doença+ portátil (bipe de emergência, nota do editor) para cada menor”, observa o representante da equipe Stéphane Saillet (Sud), “mas agora precisamos de um orçamento dedicado à criação de um centro especializado para menores”.
Quanto ao número anormal de mortes observadas, o Sr. Saillet assegura que “os médicos agora evitam atingir a dose máxima da medicação, por medo de causar a morte”. “O que significa”, diz este sindicalista, “que atrás de nós temos pacientes que ‘perdem a calma mais rapidamente’ e como resultado, chegamos a problemas de agressão contra o pessoal”.
O Ministério da Saúde tem agora quatro semanas para comentar o relatório.