Este telefone com seu queixo ridículo e trackball vermelho foi o primeiro smartphone Android verdadeiramente desejável.

Depois do Archos 5 IT, vamos passar para outro produto icônico: o HTC Hero. Smartphone que eu mesmo comprei na época.
Verão de 2009. A HTC apresenta o Hero, o terceiro smartphone Android da marca depois do Dream (G1) e do Magic. No papel, nada de revolucionário: processador Qualcomm de 528 MHz, 288 MB de RAM, tela LCD de 3,2 polegadas com resolução de 320 x 480 pixels, câmera de 5 megapixels. Uma ficha técnica correta.
Para ir mais longe
Análise do HTC Hero no Android
Mas o Herói escondeu duas grandes vantagens que mudariam a situação: um desenho com aquele famoso queixo inclinadoe acima de tudo Sentido HTCa interface que transformou o Android em algo lindo. Numa época em que o Android 1.5 parecia um projeto de desenvolvedores que nunca tinham ouvido falar em design, o Sense foi uma revolução estética.
The Hero incorpora esse exato momento em que o Android passou de geek a mainstream. Um telefone imperfeito, às vezes com defeito, mas desejável. E isso era novo.
O queixo que dividiu
Vamos conversar sobre isso queixo. A parte inferior do Herói curvava-se para cima, criando aquela curva característica que dividia as multidões. Algumas pessoas acharam feio. Outros acharam ótimo. Mas ninguém ficou indiferente.

Na mão, foi diabolicamente agradável. Essa curvatura colocou naturalmente o trackball sob o polegar, facilitando a navegação. O telefone ficou bem na mão, com uma sensação de solidez que o Dream and Magic nunca conseguiu oferecer.
Porque ao contrário dos seus antecessores que davam uma impressão de “plástico barato”, o Hero utilizava um revestimento soft-touch (Teflon na versão branca para evitar marcas). O fone de ouvido era coberto por uma elegante grade de metal, a tela beneficiava de um tratamento oleofóbico (como o iPhone 3GS lançado na mesma época) e milagre: HTC pensou em colocar um conector de 3,5 mmo que não era sistemático na época.

Os botões físicos circulavam por todo o aparelho: ligar, desligar, retornar, menu, pesquisar… E aquele famoso trackball vermelho no centro, legado direto da era BlackBerry. Em 2009, ainda navegávamos muito com os dedos E trackballs. As interfaces touchscreen não eram tão avançadas como hoje.
A única falha ergonômica real: o botão Voltar estava mal colocadoforçando você a fazer contorções desconfortáveis do polegar ao longo do tempo. Mas perdoamos facilmente.
HTC Sense: a verdadeira revolução do Herói
Se o Herói é lembrado, é sobretudo graças a Sentido HTC. Em 2009, o Android 1.5 “Cupcake” era funcional, mas francamente feio. A interface parecia o que era: um sistema operacional desenvolvido por engenheiros que nunca haviam encontrado um designer em suas vidas.

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A HTC investiu pesadamente (em tempo e dinheiro) para dar uma reformulação completa no Android. O Sense não era apenas um iniciador de aplicativos. Era uma revisão quase completa da interface do Android : telas iniciais personalizáveis com widgets elegantes, animações suaves, tipografia elegante, ícones redesenhados, menus redesenhados.

As telas iniciais do Sense com seus grandes widgets meteorológicos animados, o relógio giratório que se tornará icônico, as transições entre páginas… Foi Magnífico por enquanto. Realmente. As pessoas queriam o Sense em seus telefones Android. Era a interface de referência, aquela que fazia o Android padrão parecer um trabalho árduo.

Até o TouchWiz (interface da Samsung) funcionava de maneira mais suave do que o Android padrão da época, graças à aceleração de hardware de certos elementos da interface. O Google negligenciou claramente os aspectos visuais e de desempenho do Android, deixando os fabricantes fazerem o trabalho.
Também tivemos o Sense, que foi portado por algumas pessoas corajosas para smartphones de outras marcas por meio de ROMs personalizadas.
O Sense era tão bom que muitos usuários pensaram Sentido = Android. A interface HTC definiu literalmente a identidade visual do Android para o público em geral.
O drama das performances: lindas, mas lentas
Agora vamos falar sobre problema real do Herói: as performances. Com seus 288 MB de RAM e seu processador Qualcomm MSM7200A de 528 MHz, o Hero já não era nenhum foguete. Mas o Sense, com todas as suas animações e widgets gananciosos, literalmente prejudicou o desempenho.
Deslizar entre as telas iniciais? Houve um atraso perceptível entre o movimento do dedo e a reação na tela. Abrir um aplicativo? Paciência. Voltar para casa? Estávamos esperando. O atraso foi permanente, visível, frustrante. A animação foi suave depois de iniciada, mas demorou uma eternidade para ser acionada.
Os testadores da época repetiram: “é lindo, mas é lento“. Muito lento. Não apenas “mais lento que um iPhone”, francamente para pegar em comparação com a concorrência Android.
A comunidade ROM personalizada (CyanogenMod e empresa) assumiu como missão manter o Herói vivo pelo maior tempo possível, otimizando o sistema operacional. Desenvolvedores como Ninpo trabalharam horas para tornar o Herói utilizável além de sua vida útil natural. Foi a era heróica da modificação do Android, quando ROMs personalizados não eram truques, mas reais necessidades para tornar os telefones utilizáveis.
5 megapixels que fizeram a diferença
Numa época em que a maioria dos smartphones incluía sensores de 3 megapixels (incluindo o iPhone 3GS), o Herói exibia com orgulho 5 megapixels. E isso importava.

As fotos estavam corretas para a época. Não excepcional, mas melhor que a média. Bom o suficiente para imortalizar Saint-Maur-des-Fossés sob a neve em 2009 (sim, ainda nevava na época). O sensor funcionou com boa iluminação, teve dificuldades em ambientes fechados, mas essa era a norma.
Sem flash LED de qualidade, sem estabilização, sem autofoco instantâneo, estávamos longe dos padrões atuais. Mas em 2009, ter 5 megapixels num smartphone Android era um argumento comercial sólido.
HTC: de herói a zero em 10 anos
A cruel ironia desta história é o destino da HTC. Em 2009, o fabricante taiwanês foi no topo. Fez os melhores smartphones Android, com design elegante e interfaces desejáveis.
Para ir mais longe
HTC: em dez anos, como o smartphone passou de Herói a zero (ou quase)
O Hero será seguido pelo HTC Desire (primo topo de linha), depois pelos excelentes HTC One M7, M8, M9… Magníficos telefones, em alumínio escovado, com som excepcional (alto-falantes BoomSound), inovações constantes.
E então… nada. A HTC perdeu a mudança para telas sem bordas, foi esmagada pela Samsung e pelos fabricantes chineses, vendeu sua divisão de smartphones para o Google em 2017. Hoje, a HTC ainda existe, mas não conta mais no mundo móvel.
De herói a zero em 10 anos. É brutal. Mas esta é a indústria móvel.
Por que o herói é importante na história do Android
O HTC Hero não foi o smartphone Android mais poderoso de 2009. Não foi o mais barato. Nem foi o mais rápido (longe disso).
Mas foi o primeiro smartphone Android desejável. Aquele que fazia as pessoas dizerem “eu quero isso” sem ser um geek hardcore. Aquele que provou que o Android pode ser bonito, elegante, diferente do iPhone sem ser feio.
HTC Sense abriu o caminho. Samsung, Motorola, LG, todas entenderam que era preciso investir em interfaces próprias para diferenciar seus produtos. O Google acabou entendendo que precisava trabalhar seriamente no design do Android.
O Herói foi lento. O Herói definhou. Mas o herói fez sonhar uma geração de usuários do Android. E nenhum benchmark pode medir isso.