Endereço engraçado para uma coreografia. Na véspera, um SMS lacônico definiu o quadro: “11h30, ponto de ônibus em frente ao supermercado, cruzamento Quatre-Chemins. » Na fronteira entre Aubervilliers e Pantin, em Seine-Saint-Denis, o lugar é mais um intercâmbio saturado do que um centro cultural. Nada aqui lembra o veludo cintilante de um teatro. O céu naquela manhã caiu sob uma garoa fina. Os motores rugem, as buzinas soam, os pedestres atravessam em ângulo, evitando barreiras de construção e barracas improvisadas de vendedores ambulantes.
É neste alarido comum que Pierre-Benjamin Nantel oferece regularmente um espectáculo de dança para dois espectadores – três no máximo. Trinta minutos, mediante reserva. A peça é intitulada Estação Bunkai Quatre Chemins. O termo, emprestado do caratê – disciplina que este nativo de Rennes praticava em competição – refere-se à análise cuidadosa de um gesto, à sua decomposição quase clínica. Nada banal: a coreógrafa, de 38 anos, também é cirurgiã-dentista.
Durante muito tempo, esse homem eclético liderou sua prática e criação ao mesmo tempo. Tendo vivido vários anos num centro dentário, seguiu também formação em dança contemporânea. A prática artística, inicialmente realizada a tempo parcial, tornou-se central desde 2022. Hoje vive da sua arte, criando e participando em espetáculos, sem ter desistido um dia de regressar ao seu primeiro emprego como cuidador. “Imaginamos dois universos opostos. Na verdade, baseiam-se nas mesmas qualidades: observar, ouvir, adaptar-se. No consultório cada paciente é diferente. Aqui também. O local não muda, mas a experiência depende do clima, do horário, das pessoas ao redor. »
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