Em Rochefort, o Senhoras de Jacques Demy, que nos são caros, não foram estragados, sendo objecto de uma hedionda escultura, na praça principal da cidade, reduzindo-os a manequins de montra. Pierre Loti (1850-1923), outro monumento municipal, foi mais homenageado. A casa onde nasceu e viveu o escritor de viagens, e onde satisfez todas as suas fantasias de decorador orientalista e extravagante, foi alvo de um soberbo restauro. Foram necessários treze anos de pesquisa e trabalho para devolver todo o seu brilho a estes cenários, que são mais uma fantasia teatral do que uma rigorosa reconstrução histórica. A Maison de Pierre Loti reabriu ao público em junho de 2025 e, desde então, tem estado continuamente lotada.
Visitamo-lo como um palácio de teatro, onde Loti viveu e sonhou as suas mil e uma existências nos redemoinhos hipnóticos de uma mistura perpétua entre realidade e ficção. Por trás da sóbria e anônima fachada de pedra loira do número 141, rue Pierre-Loti, desdobra-se um verdadeiro caravançarai de estilos, cores, objetos, coleções de todos os tipos, tapeçarias e tapetes, revelando um desejo nunca satisfeito: o dos europeus que querem comer um mundo ao alcance da conquista, da Argélia à China. E a de reter o tempo, de encerrá-lo nestas paredes para evitar que escape.
O oficial da Marinha Julien Viaud, nascido nesta mesma casa em 1850, viajou pelos mares desde os 17 anos e trouxe de suas viagens os mais diversos objetos. Tornou-se Pierre Loti em 1879, com a publicação de seu primeiro romance, Aziyade (Gallimard), escritor de rápido sucesso, teve meios, a partir do início da década de 1880, para começar a criar os cenários que surgiam de sua fértil imaginação. Até ao final do século, sucederam-se os sumptuosos conjuntos da sala renascentista, do pagode japonês, da sala chinesa e do salão turco. Loti dá ali festas suntuosas, convidando suas amigas Sarah Bernhardt ou Elisabeth da Romênia, disfarçada de Luís XI, um imperador chinês ou um emir.
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