Uma reunião de pessoas desaparecidas do SOS, atrás de uma faixa com retratos de pessoas desaparecidas da “década negra” (1992-2002), em Argel, 3 de abril de 2019.

O abrigo tinha um quarto de século e abrigava um ritual semanal repleto de dor e dignidade. Todas as quartas-feiras, desde 2001, o primeiro andar da rue Mustapha-Ben-Boulaïd, 21, no coração de Argel, recebia mulheres com as costas curvadas ao longo dos anos e o olhar fixo nos retratos emoldurados dos seus filhos, irmãos ou maridos. Subiram até lá, até à sede do SOS Disparus, para quebrar o isolamento. Este santuário da memória está agora fechado.

Na segunda-feira, 16 de março, foram colocados selos de cera vermelha na porta da associação, o único que listou as vítimas dos desaparecimentos forçados da “década negra” (1992-2002). A extrema violência desta guerra civil entre o exército e a resistência islâmica deixou entre 100.000 e 200.000 mortos.

A operação contra a SOS Disparus, levada a cabo por uma força policial imponente, baseou-se num decreto da wilaya de Argel, datado de 12 de Março. Um frio documento administrativo, assinado não pelo próprio wali (prefeito), mas pelo seu secretário-geral, para assinalar o fim de uma “ocupação sem título” jurídico. Porque a associação, tal como outras organizações da sociedade civil argelina, nunca obteve a aprovação oficial prevista na lei sobre associações de 2012, texto criticado pelas autoridades da ONU pelo seu carácter arbitrário.

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