Domingo, 15 de março, noite do primeiro turno das eleições municipais, mais de uma centena de pessoas ocuparam o seu lugar no salão de casamentos da Câmara Municipal de Saint-Denis (Seine-Saint-Denis). Já passa das 21h30, a apuração terminou e o prefeito socialista cessante Mathieu Hanotin, como é de praxe, anuncia os resultados. Assim que ele dá a pontuação vencedora (50,77%, ou 13.506 votos) para Bally Bagayoko, candidato do La France insoumise (LFI), um clamor invade a sala. O socialista, bem atrás com 32,7% dos votos, aparece abatido perante um público que celebra, certamente, a vitória “rebelde” da primeira volta, mas sobretudo a derrota socialista ao som do “E todo mundo odeia Hanotin”.
Desde domingo à noite, a LFI brandiu a sua vitória em Saint-Denis como a demonstração por excelência do sucesso da sua estratégia de se estabelecer nos bairros operários dos subúrbios de Ile-de-France. Foi nesta cidade de quase 150 mil habitantes que o líder da LFI, Jean-Luc Mélenchon, alcançou uma das suas melhores pontuações nas eleições presidenciais de 2022, apesar de uma abstenção recorde. Também aqui que a lista “rebelde” nas eleições europeias liderou em 2024. Em La Courneuve, a cidade vizinha, outro alvo do movimento, a candidata “rebelde” Aly Diouara que ficou em primeiro lugar, pescoço a pescoço com o candidato socialista, concluiu um acordo com o candidato comunista, que ficou em terceiro.
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