
A França, crítica da falta de esforços climáticos da Índia, ameaçou na segunda-feira bloquear os fundos europeus destinados à descarbonização do país, se Nova Deli não respeitar os seus compromissos na luta contra as alterações climáticas.
Em entrevista à AFP, a ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, apelou à União Europeia para ser mais firme face à inação climática nos países emergentes.
E apontou o dedo à Índia, com quem a UE acaba de anunciar a conclusão de um acordo de comércio livre no final de Janeiro.
Na passada quinta-feira, durante uma reunião entre representantes de estados europeus, “soubemos que parte deste acordo previa 500 milhões de euros à Índia para a descarbonização”, disse o ministro.
Esta proposta foi “bloqueada” nesta fase, com alguns países a queixarem-se de terem descoberto tardiamente esta parte do acordo, continuou ela.
“Acabo de escrever à Comissão. Não sou a favor desse financiamento até que a Índia apresente uma NDC (contribuição climática nacional) de acordo com os seus compromissos e até que se comporte de forma um pouco diferente no tratamento que reserva à União Europeia nas negociações climáticas”, sublinhou.
Estas NDC (para “contribuições determinadas a nível nacional” em francês) são os planos climáticos que cada país deve normalmente atualizar a cada cinco anos ao abrigo do Acordo de Paris de 2015.
Mas mais de 60 países, alguns dos grandes beneficiários do financiamento climático – como a Índia, o Egipto ou as Filipinas – não cumpriram o prazo estabelecido pela ONU no ano passado para publicar os seus planos mais recentes.
De forma mais ampla, Monique Barbut apelou à União Europeia para que endureça o jogo nas negociações climáticas, com uma “abordagem mais estratégica e também mais transacional”.
“Isto significa claramente que +você só paga se fizer isso+. (…) A Europa deve apoiar financeiramente apenas os países que assumem compromissos credíveis no âmbito do Acordo de Paris”, apelou ela à AFP.
Os Ministros da Ecologia dos Vinte e Sete debaterão a diplomacia climática da UE na terça-feira em Bruxelas.