Quando chega o inverno, a abelha rainha se enterra em solo raso, reduzindo sua atividade metabólica em mais de 95% – um fenômeno chamado diapausa – até a primavera, quando chega a hora de fundar uma nova colônia. Mas antes disso, quando as temperaturas sobem, a neve derrete e a precipitação aumenta, a cavidade onde o inseto encontrou refúgio pode ficar encharcada. No entanto, os investigadores sabem agora que não se afoga.

Na verdade, cientistas da Universidade de Ottawa, no Canadá, demonstraram que a rainha da abelha febril (Bombus impatiens) é capaz de sobreviver pelo menos uma semana na água sem se afogar. Em um novo estudo publicado na revista Anais da Royal Society B Ciências Biológicas em 11 de março de 2026, explicam por quais mecanismos fisiológicos a rainha abelha consegue escapar quase sem danos.

Leia tambémO incrível mecanismo que permite aos lagartos respirar debaixo d’água

Duas estratégias diferentes para sobreviver debaixo d’água

Para descobrir a estratégia dos soberanos, os investigadores recriaram em laboratório as condições invernais a que estão submetidos. 51 rainhas foram colocadas em diapausa durante quatro a cinco meses e depois algumas foram finalmente imersas num tubo cheio de água durante oito dias. Durante esse tempo, os cientistas monitoraram seu metabolismo e as mudanças fisiológicas que ocorreram.

Foi assim que descobriram que essas abelhas dependiam de duas estratégias diferentes para sobreviver. Eles já respiram até debaixo d’água! Os cientistas têm assim “produção de CO detectada2 fraco, mas constante durante a imersão, persistindo por 4 e 8 dias debaixo d’água“, relata o estudo. Eles também observaram “uma diminuição no oxigênio dissolvido na água“.

Mas isso não é tudo: estas rainhas também produzem energia sem oxigénio, tornando-se assim organismos parcialmente anaeróbicos. Prova disso é que eles acumulam ácido láctico no corpo, produto final dessa respiração específica.

Eles não estão satisfeitos com apenas uma estratégia, comenta o professor Charles-Antoine Darveau, coautor do estudo, em comunicado à imprensa. Eles combinam troca gasosa subaquática e metabolismo anaeróbico. É esta flexibilidade que lhes permite sobreviver nestas condições extremas.

Porém, essa sobrevivência é exaustiva. Quando as rainhas saem da água, o seu metabolismo aumenta muito (nomeadamente a produção de dióxido de carbono) durante dois a três dias. “Esta aceleração do metabolismo coincide com a eliminação do ácido láctico acumulado, especifica o professor Darveau. Esta é essencialmente uma fase de recuperação. Após cerca de uma semana, o metabolismo retorna ao nível normal de diapausa.

A surpreendente capacidade de certos insetos respirarem debaixo d’água

A febril rainha abelha é, portanto, capaz de respirar debaixo d’água. Embora essa habilidade seja fascinante, não é nova. Além disso, o novo estudo nos lembra: “Muitos insetos podem sobreviver à submersão prolongada através da respiração subaquática“.

A respiração pode ocorrer por meio de trocas gasosas através da cutícula, camada especial que cobre o corpo dos artrópodes. Ou graças ao ar mantido por uma espécie de cerdas hidrorrepelentes. Finalmente, outros insetos são adeptos da respiração anaeróbica.

Leia tambémEsta aranha passou mais de 30 minutos debaixo d’água

Esperança face ao medo do aumento das inundações

Para os investigadores, esta descoberta é tranquilizadora e implica que as abelhas rainhas serão capazes, até certo ponto, de lidar com as alterações climáticas e as inundações que poderão aumentar. Boas notícias também para a humanidade: tal como outros insectos polinizadores, os zangões desempenham um papel fundamental na nossa segurança alimentar.

Fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *