“Abamallik, Wagner, ba ma-k/Iji wa jed ija dat-ak/Ij’e Mali dag, azzar-ak” (“Morra sua mãe, Wagner, morra sua mãe/O que você faz, Mali fez antes de você”), canta o Touareg a cappella. A última vez que nos encontramos com Abdallah Ag Alhousseini foi há quase dez anos, numa tenda, nas dunas do Sahara marroquino, no Festival de Taragalte. Já com seu chapéu branco estilo bluesman do Mississippi, ele tocava o braço do violão com velocidade, o rosto impassível, sentado no canto do colchão.
Encontramo-lo passando por Montreuil (Seine-Saint-Denis), nos subúrbios de Paris. Da bolsa tirou um pequeno fogão Butagaz, uma minúscula chaleira de ferro esmaltado e um pacote de chá, do qual tirou algumas pitadas. De uma garrafa de plástico que carrega consigo, ele derrama água. Como se aqui não houvesse fogão nem água potável.
Abdallah Ag Alhousseini, elegante e sereno, com um anel de sinete no dedo, é um dos pilares fundadores do grupo Tinariwen. Mais que um grupo, uma lenda, que hoje lança seu décimo álbum de estúdio, e segue incansavelmente viajando pelo mundo, embaixador deste “povo do deserto” (tinariwen) mergulhou durante décadas numa rebelião sem fim para preservar o seu território. Eles estarão em turnê pela Europa durante dois meses, principalmente na França (Seignosse [Landes]Nîmes, Rennes, Toulouse, Bordeaux e Paris, 8 e 9 de maio, no Cirque d’hiver).
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