No Novo México, uma tíbia fossilizada descoberta na Formação Kirtland pode pertencer a um dos mais antigos tiranossauros gigantes conhecidos. O osso tem aproximadamente 74 milhões de anos e sugere que um parente próximo de Tiranossauro rex já vivia no sul da América do Norte muito antes do aparecimento do famoso predador no final do Cretáceo.
Uma canela quase tão grande quanto a de “Sue”
Os tiranossauros são uma família de dinossauros carnívoros que dominaram os ecossistemas do Cretáceo Superior na América do Norte e na Ásia. Os mais conhecidos, como Tiranossauro rex Ou Tarbossauro bataarpertencem ao grupo dos Tiranossaurinis, uma linhagem caracterizada por crânios enormes e proporções corporais imponentes. O estudo liderado por Nicholas Longrich, publicado na revista Relatórios Científicos, sugere que este novo dinossauro poderia ser um membro primitivo deste grupo.
Sua identificação é baseada na análise de uma tíbia descoberta nos sedimentos da Formação Kirtland, no Novo México. Esta formação geológica data do Alto Campaniano, período entre aproximadamente 83 e 72 milhões de anos atrás. A tíbia tem 960 milímetros de comprimento e aproximadamente 128 milímetros de diâmetro. Para se ter uma ordem de grandeza, atinge 84% do comprimento e 78% do diâmetro da tíbia do maior exemplar conhecido de T. rexapelidado de “Sue” e mantido no Field Museum em Chicago.

O esqueleto de Sue. Crédito: Chicago Field Museum.
Estas proporções indicam que o animal ao qual pertencia este osso devia ser particularmente maciço para a época. Os pesquisadores estimam que este tiranossauro poderia ter atingido cerca de 4,7 toneladas. Na escala da Campânia, isso o tornaria o maior tiranossauro identificado neste período. Além do tamanho, certos detalhes anatômicos chamam a atenção. A tíbia tem eixo relativamente reto e extremidade distal triangular, características encontradas nos tiranossaurinis.
Um possível local de nascimento no sul dos tiranossauros gigantes
Durante vários anos, a origem geográfica da Tiranossauro rex é objeto de debate entre os paleontólogos. A hipótese mais difundida tem sido a de origem asiática, seguida de uma migração para a América do Norte. Mas algumas descobertas recentes complicam este cenário. Entre eles está Tiranossauro mcraeensisuma espécie descrita a partir de fósseis no Novo México e datada de aproximadamente 72 milhões de anos atrás. Este tiranossauro apresenta diversas características próximas às T. rex embora seja um pouco mais velho.
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A tíbia estudada no novo estudo pode pertencer a uma forma ainda mais antiga desta linhagem. Se este for de facto um dos primeiros membros dos tiranossauros, fortaleceria a ideia de que os tiranossauros gigantes podem ter evoluído no sul da América do Norte, antes de se espalharem para outras regiões do continente. Essa hipótese, porém, permanece frágil: o fóssil estudado limita-se a um único osso, o que dificulta qualquer identificação precisa. Sem crânio ou outros elementos do esqueleto, é impossível determinar com certeza a que espécie o animal pertencia.
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Os autores enfatizam, portanto, que serão necessários vestígios mais completos para esclarecer o lugar deste tiranossauro na árvore evolutiva do grupo. Mas mesmo isolada, esta tíbia fornece uma pista valiosa. Mostra que na Campânia, quase dez milhões de anos antes da época de Tiranossauro rextiranossauros muito grandes já vagavam pelas planícies do sul da América do Norte.