O Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, inicia na quinta-feira, 12 de março, uma visita de dois dias à República Centro-Africana (RCA), onde se encontrará na sexta-feira com o Presidente da República, Faustin-Archange Touadéra, a primeira em sete anos, anunciou a diplomacia francesa.
Esta viagem insere-se no relançamento das relações bilaterais iniciadas em abril de 2024 pelos Presidentes Macron e Touadéra. O diálogo entre Paris e Bangui deteriorou-se significativamente nos anos anteriores, enquanto a influência da Rússia se fortalecia. “Depois de um breve período de frio na nossa história comum, a nossa relação com a RCA está a ser renovada e fortalecida”afirma fonte diplomática da Agence France-Presse (AFP).
A França não realizou uma visita de alto nível a este estado centro-africano de 5,3 milhões de habitantes desde a de Jean-Yves Le Drian, então Ministro dos Negócios Estrangeiros, em Novembro de 2018, dois anos depois de Touadéra ter chegado ao poder.
Renovação diplomática e questões regionais
Além do encontro com o presidente centro-africano, o Sr. Barrot deverá encontrar-se com o primeiro-ministro, Félix Moloua, bem como com a sua homóloga, Sylvie Notéfé. Deverá também visitar a missão europeia EUTM, responsável pela formação das forças armadas centro-africanas, e a Minusca, força de manutenção da paz das Nações Unidas.
Muito influente e militarmente presente desde a independência em 1960, a antiga potência colonial tem gradualmente perdido terreno na República Centro-Africana, um país rico em recursos naturais, em benefício da Rússia e dos paramilitares russos do Grupo Wagner, que beneficiam de contratos lucrativos na exploração de ouro, diamantes e madeira.
Touadéra, que regressou de uma visita de uma semana a Moscovo, onde se encontrou com Vladimir Putin, foi reeleito em Janeiro para um terceiro mandato com 77,90% dos votos numa votação contestada pela oposição, depois de ter sido adoptada uma nova Constituição em 2023 que lhe permitiu permanecer no poder.
Esta visita começa também um dia após a libertação de um humanitário francês, funcionário da ONG Médicos Sem Fronteiras, detido a 4 de Março no sul do país, na fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), suspeito de “atividades que visam a desestabilização”.