Quando Mario Vargas Llosa (1936-2025) morreu, repetia-se que estava sendo enterrado “o último dos gigantes” da literatura sul-americana. Seu amigo e compatriota Alfredo Bryce Echenique ainda estava vivo e merecia o título de “gigante”. O mundo de língua espanhola considerava este escritor capaz de um virtuosismo linguístico não menos impressionante que a sua ferocidade e o seu talento para “exagerar” a realidade para condenar o seu escândalo através do riso. O autor deTristeza infinita (Edições Métailié, 2015) faleceu em Lima, terça-feira, 10 de março. Tinha 87 anos.
Nasceu em 19 de fevereiro de 1939 na capital peruana e em uma família de classe média alta – seu pai era banqueiro – cujos ancestrais incluíam o último vice-rei do país. Sua mãe era uma leitora ávida de Marcel Proust, que lhe deu Marcelo como nome do meio e lhe deu aulas particulares de francês. Uma vez escritor, ele contará a história da alta sociedade de onde vem em seu primeiro romance, Júlio publicado em 1970, depois em 1973 na França pelas edições Calmann-Lévy (premiado na França com o prêmio de melhor livro estrangeiro e republicado em 2001 pela Métailié sob o título Um mundo para Julius). Entre os adultos preocupados com os seus assuntos sociais, jogos de golfe e viagens à Europa, apenas um menino com orelhas grandes tem a lucidez de perceber as desigualdades em que se baseia o estilo de vida destas pessoas privilegiadas.
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