Deportação de crianças ucranianas: comissão de inquérito da ONU acusa a Rússia de “crimes contra a humanidade”
“As evidências coletadas levam (…) concluir que as autoridades russas cometeram crimes contra a humanidade, nomeadamente a deportação e a transferência forçada, bem como o desaparecimento forçado de crianças”anuncia a comissão internacional independente de inquérito sobre a Ucrânia criada pelas Nações Unidas, num comunicado de imprensa divulgado pela Agence France-Presse.
Além disso, as medidas tomadas em relação às crianças deportadas ou transferidas “violou o direito internacional humanitário e o direito internacional dos direitos humanos” e não foram guiados pelos melhores interesses da criança, enfatiza.
A comissão confirmou até agora a expulsão ou transferência de 1.205 crianças, mas acredita que as autoridades russas “deportaram ou transferiram milhares de crianças das áreas que ocupavam na Ucrânia”.
A questão, muito sensível na Ucrânia, está no centro das negociações entre Kiev e Moscovo. De acordo com Kiev, quase 20.000 crianças ucranianas foram levadas à força para a Rússia ou para os territórios ocupados da Ucrânia desde o início da ofensiva em grande escala em 2022.
A Rússia alegou ter retirado algumas crianças ucranianas das suas casas ou orfanatos para protegê-las das hostilidades. O Direito Internacional Humanitário exige que as evacuações sejam “temporário e motivado por razões imperiosas de saúde, cuidados médicos ou segurança”lembra, por sua vez, a comissão. Segundo os investigadores, 80% das crianças expulsas ou transferidas nos casos examinados pela comissão não regressaram a casa.