No fundo marinho da baía de Porto Rafti, perto de Atenas, Makis Sotiropoulos, com uma garrafa de oxigénio às costas, afunda uma âncora ecológica para proteger a preciosa erva marinha Posidonia ameaçada pela ancoragem descontrolada.
Usando uma furadeira especial, esse mergulhador profissional escava pelo menos três metros de profundidade no fundo do mar antes de plantar a âncora com duas nadadeiras simétricas.
“Puxamos para cima para travá-lo antes de prender uma corrente e uma bóia de elevação”, explica à AFP no final da operação. Isso “mantém a corrente suspensa acima do fundo para não arranhar a posidônia”.
Na superfície do Mar Egeu, uma grande bóia de amarração de superfície permite que os barcos atracem “com total segurança”, garante.
A ancoragem ecológica faz parte de um programa piloto do Ministério da Navegação grego que pretende criar toda uma rede em todo o país “para não destruir o fundo e proteger o ambiente”, segundo Evangelos Kyriazopoulos, secretário-geral do ministério.
Com uma costa de mais de 13.000 km, 70% da qual é coberta por prados de Posidonia, a Grécia, tal como outros países do Mediterrâneo, vê todos os anos o impacto devastador das ancoragens selvagens nestas plantas com longas folhas em forma de fita que florescem no fundo do oceano.
Estes prados subaquáticos, que constituem habitat essencial para diversas espécies marinhas, foram classificados como “habitat prioritário” pela União Europeia.
“A Posidonia está entre os nossos melhores aliados na luta contra as alterações climáticas e merece toda a nossa atenção”, explica Maria Salomidi, investigadora do Instituto Oceanográfico Grego (Elkethe).
Estas ervas marinhas “capturam e retêm carbono sob os seus rizomas, produzem oxigénio, filtram e purificam a água e apoiam a biodiversidade”, continua ela.
– Danos muito significativos –
No entanto, quando as âncoras são levantadas, um grande número de rizomas de Posidonia são arrancados.
“Tenho notado muitas vezes a presença de âncoras nos prados de Posidonia”, diz Rouli Prinianaki, mergulhador e membro da ONG Aegean Rebreath, que participa na campanha de proteção de Posidonia.

Ao se arrastarem pelo fundo do mar, as correntes das âncoras “acabam destruindo” esses leitos de ervas marinhas, continua ela.
Para a organização grega para o ambiente e as alterações climáticas (Ofypeka), a ancoragem constitui “uma das ameaças mais importantes”.
Nos últimos anos, foram instaladas cerca de quarenta âncoras ecológicas na Grécia, nomeadamente em parques marítimos no Mar Jónico (oeste) e perto da ilha de Alonisos, onde os tapetes de ervas marinhas foram danificados.
Em torno desta ilha do arquipélago de Espórades, “foram instaladas 15 âncoras ecológicas, mas não são suficientes para os milhares de barcos no verão”, lamenta Spyridon Iosifidis, ictiólogo (especialista no estudo de peixes) da gestão do Ofypeka de Espórades.
– Necessidade de legislar –
Para vários especialistas, a Grécia deve acelerar a instalação em grande escala de amarrações ecológicas para barcos de recreio que afluem às suas baías no verão.

Atenas “deve legislar para proteger as pradarias de ervas marinhas e permitir a sua regeneração”, seguindo o exemplo das Ilhas Baleares, em Espanha, e da costa mediterrânica francesa, recomenda Vangelis Paravas, biólogo da ONG WWF na Grécia.
De acordo com Elkethe, o problema da destruição da Posidonia é particularmente agudo nas costas e ilhas do Mar Jónico, no Golfo Sarónico e nas Cíclades, sob ameaça em locais de turismo excessivo.
Para Maria Salomidi, “o número de barcos aumentou e não há controlo nem informação”.
O estabelecimento de um quadro institucional seria benéfico “tanto para a navegação como para a protecção do património natural”, acredita.
Tanto mais, conclui, que a instalação e gestão de ancoradouros constitui uma actividade comercial rentável nas ilhas para promover um turismo de qualidade.