Na mina industrial Tenke Fungurume, na República Democrática do Congo, 17 de junho de 2023.

A transição energética também tem o seu lado negro. Na República Democrática do Congo (RDC), os habitantes de Fungurume, que vivem perto da mina de cobalto e cobre com o mesmo nome, são os primeiros a pagar o preço, segundo o relatório publicado terça-feira, 10 de março, pela ONG americana Environmental Investigation Agency (EIA) e pela sua congénere local PremiCongo, após três anos de investigação.

A extração e o processamento do cobalto, necessário à fabricação das baterias de íon-lítio que equipam os veículos elétricos, seriam aqui acompanhados de liberações de dióxido de enxofre (SO2) além dos limites estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, de acordo com as leituras realizadas por especialistas em toxicologia solicitados pelas duas ONG.

O alerta foi dado no final de 2023 pela afluência aos centros de saúde da cidade de pessoas com queixas de graves dificuldades respiratórias, hemorragias nasais e tosse com sangue. As mulheres queixaram-se do aumento dos abortos espontâneos. Tantos sintomas desconhecidos na localidade, até que a Tenke Fungurume Mining (TFM) decidiu duplicar a sua produção, com a construção, nesse ano, de uma nova fábrica chamada 30K, com capacidade para entregar 30 mil toneladas de minério por dia.

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