O número de acidentes na aviação comercial caiu em 2025 em comparação com 2024, mas o número de mortes no transporte aéreo aumentou em todo o mundo, principalmente devido a dois acidentes espetaculares na Índia e nos Estados Unidos, segundo dados publicados segunda-feira, 9 de março, pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
Em 2025, a taxa de acidentes aéreos aumentou para 1,32 por milhão de voos, ou um acidente a cada 750.646 voos. Estes números refletem uma ligeira melhoria em relação a 2024, onde a taxa subiu para 1,42 acidentes por milhão de voos (ou seja, um acidente a cada 704.225 voos, segundo um cálculo realizado pela Agence France-Presse para poder comparar com os de 2025).
No entanto, comparando estes números com a média de cinco anos para 2021-2025, que se situou em 1,27 acidentes por milhão de voos, a tendência é bastante ascendente. No total, foram registados 51 acidentes pela organização em 2025, 8 dos quais mortais, face a 54 acidentes registados em 2024, 7 dos quais mortais. E o número de mortes aumentou acentuadamente: em 2025, a IATA registou 394 mortes durante 51 desastres aéreos, em comparação com 244 em 2024.
“Ataques de cauda”
A organização sublinha que este aumento se deve a um número muito reduzido de acidentes aéreos, citando nomeadamente a queda do Boeing 787 Dreamliner da Air India, em Junho, em Ahmedabad, que deixou 241 mortos a bordo do avião, e a colisão entre um Bombardier CRJ700 da PSA, subsidiária da American Airlines, e um helicóptero militar, em Washington, em 29 de Janeiro, que deixou 64 mortos a bordo do avião.
Nestes dois casos, a IATA apenas contou as vítimas a bordo do avião, mas não teve em conta, nas suas estatísticas, as pessoas que morreram no solo (19 na Índia), nem as mortes no helicóptero militar (3 pessoas).
A IATA defende ainda que ao longo do tempo e tendo em conta todas as melhorias técnicas, mas também a formação, a taxa de acidentes mortais melhorou significativamente. Foi um acidente fatal em 3,5 milhões de voos entre 2012 e 2016. Hoje é 1 para 5,6 milhões de voos.
A organização destaca que os acidentes mais comuns são “tailstrikes” quando a cauda do avião bate na pista, problemas no trem de pouso ou saídas de pista.
Em julho de 2025, o Diretor Geral da IATA, Willie Walsh, declarou “pessoalmente” a favor da instalação de câmeras nas cabines de aeronaves comerciais para facilitar as investigações de acidentes.