O deserto do Namibe oferece visões dignas dos mais espetaculares filmes de ficção científica. Situada no sudoeste da Namíbia, adjacente à costa atlântica, esconde a sua quota de curiosidades. Entre essas estranhezas, os arqueólogos estudaram recentemente… um barco! Nesta extensão desértica repousava esta grande carcaça de bebida durante vários séculos.

Descobertos em 2008 por mineiros namibianos, os destroços parecem ser de Bom Jesus (“Bom Jesus”), navio português que naufragou no século XVIe século. A bordo havia um pouco ovo de ninhoartefatos históricos específicos dos navios mercantes europeus durante a Renascença. A descoberta casual levanta questões sobre as circunstâncias do naufrágio do Bom Jesus.

Em bons e maus momentos

Em 2008, as operações de mineração de diamantes levaram à drenagem água do mar perto da costa, numa área de 200 metros de diâmetro. O naufrágio foi então revelado ao público, rapidamente apelidado de “naufrágio de Oranjemund”.

O “Monumento aos Descobrimentos”, o Padrão dos Descobrimentos, no bairro de Belém, em Lisboa, erguido em homenagem aos navegadores portugueses dos séculos XV e XVI e ao Infante D. Henrique, o Navegador. Foi precisamente deste local que partiu Vasco da Gama. Na praça, uma rosa dos ventos e um planisfério no chão. © Ghislaine Laussel/Futura

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No interior, artefatos são extraídos do navio por arqueólogos. Mas acima de tudo, 2.000 moedas de ouro e centenas de quilos de lingotes de cobre constituíam a maior parte da carga, conforme especificado no site Arkeonews. Os pesquisadores também relatam a presença de moedas de prata e objetos ainda mais raros, como presas de elefante.

Nos destroços de Bom Jesusescavado por acidente em 2008, guarda muitos tesouros, incluindo moedas de ouro e lingotes de cobre. © Ashley Coutu

Um épico não isento de perigos

Tantos elementos que permitem aos especialistas determinar que tipo de navio era o naufrágio de Oranjemund. Os arqueólogos destacaram a qualidade do navio, chamado nave ou carraca. O Bom Jesus deveria inicialmente chegar à Índia, numa época em que a exploração e a abertura de rotas comerciais marítimas através dos oceanos estavam em grande desenvolvimento.

Planisfério de Mercator datado de 1587 © Wikimedia commons, domínio público.

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Sob o comando da realeza portuguesa, o objetivo era então repatriar especiarias e materiais raros encontrados exclusivamente no continente asiático. Mas essas viagens duravam vários meses e não eram isentas de perigos: uma frota de vários navios muitas vezes perdia um ou mais edifícios durante a viagem épica.


Certas regiões da Namíbia, como a Costa dos Esqueletos, foram transformadas em verdadeiros cemitérios de barcos ao longo dos séculos. © Patrick Giraud

Uma tripulação perdida numa terrível tempestade?

No caso de Bom Jesusdepois de já vários dias no mar, não são os piratas que danificam a nau, mas sim o formidável clima desta região do Atlântico. Passando próximo à costa da Namíbia, o navio afundou em março de 1533. Várias hipóteses tentam explicar a perda do navio. Bom Jesus.

Um violento tempestade poderia ter empurrado o barco para mais perto da costa, fazendo com que ele batesse em um recife e afundasse. A estrutura do casco, no entanto, mantém uma integridade surpreendente dada a sua idade, enquanto os objetos encontrados nos destroços estão em condições quase impecáveis.

Arqueólogos do DRASSM exploraram os destroços de um navio mercante do século 19 no fundo do Mediterrâneo. © Família AS Photo, Adobe Stock

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E a tripulação? Uma nau podia reunir até 200 marinheiros. No entanto, verifica-se que nenhum resto humano foi exumado em torno do Bom Jesus. Os homens afundaram no Atlântico no momento do incidente? O historiadores Acredito que alguns deles poderiam ter escapado, dando à costa nas praias da Namíbia.

O “Bom Jesus” constitui ainda uma verdadeira curiosidade arqueológica, cujo tesouro foi cedido pelo governo de Portugal à Namíbia. Mas todos os segredos do navio comercial ainda não foram expostos…

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