Lançado quatro anos depois da obra-prima de William Friedkin, sua sequência, “French Connection II”, assinada por John Frenkenheimer com o formidável Gene Hackman, infelizmente teve uma recepção gélida nos Estados Unidos, como contou o diretor…
Lançado em 1971, French Connection de William Friedkin é um clássico absoluto do cinema americano. Gene Hackman entrega uma composição extraordinária na pele do irascível e brutal policial Jimmy Doyle, conhecido como “Popeye”. Um personagem que não é necessariamente simpático e que não tenta ser. Um papel difícil para o ator, que abominava a violência.
Ele não foi a primeira escolha do diretor, mas a última escolha, e Friedkin admitiu que às vezes teve que levar o ator ao seu limite para que finalmente concordasse em dar o melhor de si.
Uma excelente sequência que é muito subestimada
O ator não apenas terá uma atuação brilhante, mas terá ainda mais prazer em encarnar e aprofundar o mesmo personagem na excelente sequência, French Connection II, ainda muito subestimada em relação ao modelo original, que deixou uma marca indelével no gênero policial.
Raposa do Século XX
Ir atrás do filme de Friedkin foi um desafio. E ainda assim. Se a primeira parte permanece efetivamente intocável, French Connection II merece, no entanto, uma (re)descoberta muito séria. Lançada em 1975 e dirigida por um sólido artesão, John Frankenheimer, esta sequência se passa quatro anos após o primeiro filme.
Popeye Doyle ainda está furioso por não ter conseguido capturar Alain Charnier (Fernando Rey), o traficante que fugiu dos Estados Unidos no final do primeiro filme. No início de French Connection II, Doyle chega à França, onde imediatamente causa problemas e sai em busca de Charnier. Mas, estando em França e aliando-se a um pragmático polícia francês (excelente Bernard Fresson), também terá de cumprir certas regras…
“Foi simplesmente um desastre.”
Se Frankenheimer manteve certos elementos do estilo visual de Friedkin (o uso do zoom em particular e certas técnicas de edição), ele cria uma obra pessoal, desta vez transpondo o cenário de sua trama para Marselha e não mais para Nova York. Alguns descontentes também descobriram que com essa transposição o filme ficou menos cinematográfico se comparado às imagens da Big Apple do primeiro filme. O fato é que é basicamente diferente. Não menos bom. Diferente.
Ainda assim, se French Connection foi um triunfo nos cinemas americanos, sua sequência, por outro lado, teve uma recepção gelada no país do Tio Sam, como Frankenheimer contou em uma entrevista em 1975 (através DeprimidoBergman).
“Os críticos ingleses adoraram. Os críticos franceses adoraram, foi um grande sucesso em Paris. O filme não vai ser um fracasso global, mas foi um desastre nos Estados Unidos. Ah, recebemos ótimas críticas em Paris. Eu estava lá. Eu estava com medo do lançamento do filme depois da forma como ele foi massacrado naquele país [aux USA]. Um revisor me ligou e eu disse: “Ah, não”. E ele me disse: “Adorei, adorei. Quero ir entrevistá-lo”.
Eu não conseguia acreditar, e então continuou e continuou. Recebemos ótimas críticas. Mas Raposa [Twentieth Century-Fox] não me importei. Poderia ter sido a Quinta Sinfonia de Beethoven, poderiam ter-me carregado em triunfo pelos Champs-Élysées num desfile com confetes. Eles não teriam se importado. […] Foi simplesmente um desastre.”
Raposa do Século XX
French Connection II arrecadará apenas pouco mais de US$ 12 milhões nas bilheterias americanas. Muito longe dos 51 milhões da primeira obra do território. Na França, terá pouco mais de 759 mil ingressos, ante os 2,15 milhões de espectadores do filme de Friedkin.
Uma das melhores sequências já feitas, French Connection II está disponível em VOD e DVD/Blu-ray.
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