O filme sobre Django Reinhardt decepciona apesar de Reda Kateb.
France 4 oferecerá nesta noite de sábado Djangocinebiografia do músico Django Reinhardt, interpretado por Reda Kateb. Quando foi lançado em 2016, o filme decepcionou a redação da Primeiroque ainda elogiou a atuação do ator.
De Um Profeta a Hipócrates: A discreta ascensão de Reda Kateb
Django Reinhardt, o inventor do jazz cigano, é um mito pouco conhecido. Existem poucas imagens dele e poucas entrevistas detalhadas. Roteirista eclético (Dos homens e dos deuses, Sabores do paladar, Meu rei), Etienne Comar optou por contá-lo por defeito através do prisma da Ocupação, durante o qual Django oscilou entre a colaboração passiva e a consciência tardia. No início, querido da Wehrmacht parisiense, prestou pouca atenção à guerra que acontecia fora da capital. Aos poucos, sob a liderança de sua amante, amiga das artes, ele percebe que sua vida, e além da de sua comunidade, está em perigo. Ele foge, com o violão debaixo do braço…
Muito impressionista, não incorporado o suficiente
Comar evacua ao máximo a psicologia e só faz Django existir através da sua música, desde concertos triunfantes em Paris, reflectindo um artista intoxicado pelo sucesso, até rixas anónimas em bares provinciais ou em acampamentos ciganos, onde Django se reconecta com a sua comunidade. E o filme desenrola sua musiquinha como um piano mecânico, sem notas falsas. Esta cinebiografia em Ré menor carece de uma verdadeira encarnação, um ponto de inflexão onde a doçura impressionista das cenas cotidianas dá lugar à visceralidade da guerra e suas terríveis ambiguidades. Impressionante nas cenas de concerto, Reda Kateb não consegue, porém, retirar a personagem da sua função puramente icónica.
A cinebiografia de Django Reinhardt abre a Berlinale 2017