Com o queixo, Lou aponta para um pinheiro entre as árvores que margeiam o estádio Louis-Lumière, no 20º arrondissement de Paris. “Este é o nosso vestiário”ele diz, rindo. Uma mão segurando a casca, a outra puxando o short de futebol, ele se troca da melhor maneira que pode. A cena é instável, mas não diminui o bom humor do rapaz.
Em torno disso “indo”como sua equipe descreve, os companheiros atuam como uma tela. Combinação bigode-tainha, camisa azul clara estampada com o número 7 nas costas, Lou então caminha em direção ao gramado. Há quatro anos ele negocia com a prefeitura de Paris para obter esse horário de sexta-feira à noite, a partir das 21h. às 22h Sessenta minutos ganhos com desgaste. Então, com o tempo, ele aprendeu a lidar com a falta. Nem os 7°C indicados no termómetro nem a ausência de balneários o dissuadirão de jogar.
Quando adolescente, ele sonhava em ser “o primeiro deputado transgênero na França”. O jovem ainda não conquistou a Assembleia Nacional, mas, aos 26 anos, paralelamente aos estudos de enfermagem na Universidade Paris Cité, já é presidente da sua associação, a TRANSpire. Fundado em 2022, oferece treinamento de futebol e introdução a diversos esportes (rúgbi, vôlei, pingue-pongue, corrida) para pessoas trans e não binárias. Para “aqueles que gostariam de desabafar, mas não têm onde fazê-lo”explica Lou. Por medo de julgamento ou comentários transfóbicos.
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