euucie P. tem 95 anos e sobrenome shtetl, comemora aniversário no dia 17 de novembro. Não sei por que patologia ela veio ao centro de reabilitação. Ela é amiga de uma fisioterapeuta. Nos encontramos entre os bares onde praticamos caminhada. Ela tem a idade da minha avó. Ela me conta sobre seu marido, Alex, que morreu há cinquenta e dois anos de um câncer devastador. Ela diz isso com um sorriso levemente tenso, adoro o formato do sorriso dela, dá vontade de mordiscar como se fosse um biscoito amanteigado. De repente, Laura, a fisioterapeuta espanhola, decide: “Vamos, vamos dançar!” »ela coloca Dalida, “Segunda, terça, quinta”. Improvisamos uma coreografia, apontamos com os dedos indicadores enquanto movimentamos as nádegas e acompanhamos a cantora. “Deixe-me dançar.” » Sorrimos muito um para o outro. É como uma dança de sorrisos.

Não sei se algum dia poderei dançar novamente. Às vezes essa incerteza me entristece. No passado, porém, eu era uma pessoa um tanto estranha que gostava, algumas vezes por ano, de se deixar levar pelo ritmo e entusiasmo da festa. Minha nova negligência no lado oeste me dará mais facilidade na pista de dança? Isto parece nada menos que óbvio, pois é sempre deste lado esquerdo que perco o equilíbrio, por vezes a ponto de cair. Mas a ideia de confiança impulsionada pela pulsação do baixo me encanta.

De volta ao centro, durante uma sessão posterior, quando pergunto a Laura: “Alguma notícia da Sra. P.? »ela vai me responder com um sorriso também, um sorriso de Alicante, “Acho que ela foi hospitalizada depois de uma queda, mas está bem, não se preocupe. » Aterrissei em um novo ambiente governado pelo destino: as pessoas estão lá, depois as pessoas desaparecem. Não vi o sorrisinho nítido de Lucie P novamente.

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