Três vozes familiares, as de Isabelle Huppert, Marina Foïs e Dominique Reymond, envolvem-se numa troca tecida de palavras afetuosas – “minha querida Denisette”, “beijos carinhosos”, “sua querida irmãzinha”. As três atrizes compartilham trechos de cartas trocadas em diferentes momentos de suas vidas pelas irmãs Jacob, Madeleine conhecida como “Milou”, a mais velha, nascida em 1923, Denise, a segunda, nascida dois anos depois, e Simone, a mais nova, nascida em 1927. Isabelle Huppert é “Milou”, Dominique Reymond Denise, Marina Foïs interpreta Simone. Os rostos dos dois últimos, filmados em close, se enfrentam em dois telões, enquanto uma vista do mar agitado com um chop fraco acompanha, em uma tela lateral, as palavras de Isabelle Huppert – Madeleine Jacob. Esta última, que sobreviveu à deportação, morreu em 1952, aos 29 anos, num acidente de carro, com o filho de 1 ano.
Este dispositivo audiovisual é um dos destaques da exposição “Simone Veil. Minhas irmãs e eu”, apresentada no Shoah Memorial, em Paris. Ele ama o visitante, emocionado tanto pelas palavras quanto pela intensidade das atrizes em realizá-las. Outra tela dupla chama a atenção: em uma delas vemos Simone Veil e Denise Vernay, nascidas Jacob, agora velhinhas, conversando, seus rostos filmados de perfil, tão parecidos em sua beleza. Eles reagem, cada um com suas memórias, a fotos que remontam às suas vidas, num documentário dirigido por David Teboul.
Você ainda tem 76,33% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.