“Nossas palavras evitadas”, de Anne-Lyse Chabert e Gabrielle Halpern, L’Aube, “Hybridations”, 166 p., 17€

DIÁLOGO SOBRE…O QUE IMPEDE FALAR

Vivemos imersos em palavras. Tanto que o fluxo de comunicações, informações, mensagens e notificações nos faz esquecer o quão sutil, frágil, viva e vital é a fala. Já não vemos claramente como, para compreender verdadeiramente os outros e fazer-nos ouvir por eles, é essencial ter atenção, paciência e humildade. Qualquer encontro real, na fala, exige de facto o desapego de si mesmo, o domínio de uma linguagem diferente da nossa e, sobretudo, o não fingimento, emparedando-se no monólogo da pseudo-evidência.

É disso que a interessante conversa entre duas filósofas, Anne-Lyse Chabert e Gabrielle Halpern, nos lembra de forma útil. Sua meditação a duas vozes, intitulada Nossas palavras impediramrevê, de forma muitas vezes original, os principais obstáculos, visíveis ou ocultos, que dificultam a verdadeira compreensão. A começar pelos distúrbios de fala, que podem dificultar qualquer troca desde o início. Este é o ponto de partida das suas análises, que foi também o do seu encontro e a origem deste livro.

Porque acontece que Anne-Lyse Chabert, pesquisadora do CNRS, autora em particular de Transformando a deficiência (Erès, 2017) e Viva seu destino, viva seus pensamentos (ed. Albin Michel, 2021), fala hoje com uma voz que inicialmente parece incompreensível aos seus interlocutores. Sofrendo de uma doença grave, a ataxia de Friedreich, ela manteve as suas brilhantes faculdades intelectuais, mas viu a sua capacidade de falar “como todas as outras pessoas” diminuir ao longo dos anos. Aqueles que querem ouvi-lo e responder-lhe devem aprender as suas palavras. Esta situação singular leva rapidamente os dois interlocutores a examinar questões universais.

Obstáculos à fala

Na verdade, todos os seres falantes temem, mais ou menos, não compreender o que os outros dizem, ou não ser compreendidos por eles. Algumas pessoas deixam de lado esse medo, fingindo que tudo é simples. Monólogos, obscurecendo a necessidade de aprender pacientemente o significado que cada pessoa procura transmitir. Muito poucos entendem que cada interlocutor fala, em última análise, “uma língua estrangeira”cuja imperfeição é a assinatura. Ecoando as palavras de Anne-Lyse Chabert, a filósofa Gabrielle Halpern, autora de diversas obras notáveis, destaca, passo a passo, outras formas de impedimentos à fala.

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