O Ministério do Interior e a Comissão Nacional de Controlo das Técnicas de Inteligência (CNCTR), o “policial” da actividade dos serviços secretos em França, travam há meses uma batalha secreta mas real, enquanto o primeiro quer fazer da luta contra o “entrismo” islâmico, particularmente nas câmaras municipais, uma prioridade. Uma questão delicada a poucos dias das eleições autárquicas, 15 e 22 de março.
O ministério afirma que a CNCTR o impede de combater eficazmente este mal com base numa interpretação restritiva dos textos. A comissão responde que o uso de vigilância tecnológica contra o “entrismo” simplesmente não está previsto na lei.
A discórdia vem de longe. Criou raízes após a onda de ataques terroristas que afectaram a França em 2015 e 2016. Depois de ter tratado urgentemente da própria violência, o governo abriu, em 2017, um projecto legislativo contra o “separatismo” religioso. O reforço dos textos sobre segurança interna permite, em particular, que os prefeitos fechem locais de culto ligados à radicalização islâmica e tomem medidas individuais de controlo administrativo e de vigilância. Desde então, as autoridades francesas ajustaram, ao longo do tempo, os seus meios para apreender a ideologia política islâmica não violenta não ligada ao terrorismo, mas defendendo um discurso segundo o qual as leis religiosas são superiores às leis da República.
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