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As empresas de consultoria e os bancos de investimento estão a despedir massivamente os seus analistas juniores. McKinsey, KPMG, Goldman Sachs: a inteligência artificial (IA) automatiza as tarefas quantitativas que eram o primeiro degrau da escada. Diante dessa ruptura, o reflexo é unânime: a seleção deve passar ainda mais pela matemática. Mas aqui está o paradoxo francês: embora a capacidade matemática se torne crítica para todos, o nosso sistema educativo produz simultaneamente um declínio geral (a pior pontuação no PISA alguma vez registada em 2022) e uma elite reconhecida globalmente. Como o mesmo sistema organiza essa divergência?
A resposta está em uma palavra: classificação. O sistema francês não forma uma população matematicamente competente. Ele seleciona uma aristocracia restrita e abandona o resto. Cerca de 29% dos nossos alunos não conseguem atingir o limite mínimo de proficiência em matemática, enquanto apenas 7% se destacam nos níveis mais elevados – menos do que a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) (9%). A disparidade entre estudantes favorecidos e desfavorecidos coloca-nos entre os países mais desiguais.
O problema não é que a matemática seja usada como critério de seleção. O problema é que eles se tornaram o único sinal padronizado disponível para avaliar o potencial intelectual. Esta dominância não resulta de superioridade intrínseca, mas da ausência de qualquer sinal concorrente e mais preditivo.
Contradição estrutural
Desde a reforma do bacharelado, 65% dos alunos do primeiro ano do ensino médio escolhem a especialidade matemática. Este número reflete menos entusiasmo do que lucidez estratégica. Cerca de 20% abandonam esta especialidade no final do 1ºD. Os outros 45% não são ruins em matemática em nenhum sentido absoluto – eles são apenas medianos por um padrão arbitrário. Um estudante do ensino médio que se destaca em filosofia ou história aprende aos 16 anos que sua inteligência não existe institucionalmente.
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